RESERVASam Sharpe vasculhou o closet - um cômodo inteiro ao lado de sua suíte - tentando decidir o que levar para o spa. O segredo era encontrar um traje de banho que acentuasse os aspectos positivos. E eliminasse os negativos. Sam tinha um preto da Calvin Klein com um debrum pequeno na calcinha. Era ótimo para cobrir suas coxas, mas o detalhe em metal a fazia parecer a Barbarella. Sempre haviaa fórmula menos-é-mais - às vezes, mostrar mais pele criava uma ilusão de ótica. Desviando a atenção de todos para os peitos, as falhas sempre eram dissimuladas.Droga! Já eram quatro da tarde e ela disse a Anna que a pegaria às quatro emeia para seguirem de carro até Palm Springs. Com sorte, elas iam escapar do engarrafamento por causa do rush da tarde.O que vestir, o que vestir, o que vestir? Era improvável que houvesse algum solteiro interessante no Veronique. Sim, havia os cassinos indígenas em Palm Springs e montes de campos de golfe. Cassino mais golfe é igual a homens. Mas Sam odiava golfistas - só as roupas eram o suficiente para lhe dar náuseas - e os cassinos eram estritamente vagabundos comparados com, digamos, o Bellagio de Las Vegas. Cassinos vagabundos atraíam homens vagabundos, e Sam não tinha interesse em homens vagabundos. Nem em mulheres.Nem em mulheres? Que diabos essa ideiazinha estava fazendo na sua cabeça? Mas ela sabia a resposta - uma palavra de quatro letras começada com A. Anna.
Tudo bem. Então Sam tinha uma quedinha. Era bonitinho, na verdade. Se as menininhas podiam ter paixonites por menininhas, então as crescidinhas podiam ter paixonites por crescidinhas. Isso não queria dizer nada.Como que para provar este argumento, ela elaborou uma lista mental de homens gostosos. Bom, havia o Ben, é claro, seu primeiro amor. E depois havia ...hmmm ... vamos ver. Os irmãos Pinelli. Os dois iam ao V no sábado de manhã para ajudar no filme. Monty não fazia o tipo de Sam, mas Parker era realmente um colírio. Ainda assim, Sam suspeitava de que ele se amava demais para ter tempo para qualquer outra pessoa.Tinha que existir alguém além de Ben. Mas, estranhamenIe, ninguém veio à mente. Ela preferia fazer uma massagem em Anna do que em algum cara suado e peludo que conhecessena sauna tentando enfiar a língua em sua orelha e...Ah, que merda. Ela preferia fazer uma massagem em Anna?Ela sabia que tinha de pensar em outra coisa, então se concentrou em sua bagagem. Sam pegou o único maiô de que gostava, da Gottex, mais jeans, shorts e uma seleção de camisetas Versace e Pucci, e atirou tudo na mala de couro coach azul-clara que estava em cima da cama. Roupa de baixo também. Enquanto lutava com o zíper, o telefone na mesinha-de-cabeceira tocou.- Hein? - atendeu ela.- Oi, Sam, é a Anna.- Oi, Anna - disse Sam, com o cuidado de manter o tom de voz animado. - E aí?- Estou no bangalô da minha irmã no Beverly Hills Hotel. Então você não precisa me pegar na casa do meu pai. A gente pode encontrar você no saguão.- Tudo bem.- Tem certeza de que não quer usar dois carros? Porque não tem problema nenhum. Podemos ir no Mustang da Susan.- Não. Monty e Parker vão levar todo o equipamento na van. Vai ser mais divertido para a gente ir num carro só. Então, vejo vocês daqui a pouco.- Sam? Eu terminei o roteiro. Fiquei acordada a maior parte da noite trabalhando nele.
- Otimo. - Sam tentou parecer empolgada. - Quando vou poder ver? Você devia me mandar para eu fazer as anotações.- Posso ler para você no carro, se quiser.- Vou ler eu mesma quando a gente estiver lá. Eu estarei aí em, deixa eu ver, meia hora.Sam desligou, mordiscando o lábio inferior. Uma coisa era ter uma quedinha por Anna e outra era se tornar a chefe de torcida da nova carreira de roteirista dela. Todo executivo de estúdio de Hollywood tentava transformar sua namorada gostosona em roteirista ou produtora. Era ridículo. Bom, Sam tinha escrito um roteiro de reserva, só para garantir. Não foi difícil. Em vez de contar uma história completa - o queé difícil de fazer em dez minutos -, ocorreu a ela fazer tudo no estilo de um episódio comemorativo do Entertainment Tonight sobre um personagem tipo Jay Gatsby, mas com uma revelação chocante no final. Sim, Sam daria uma olhada no roteiro de Anna. Esperava que fosse bom. Mas era mais provável que não fosse.Sam terminou de preparar a bagagem, enfiou as malas no Cherokee do pai e seguiu para o hotel para pegar Anna e a irmã dela. O trânsito desta vez estava tranqüilo, então ela chegou lá às quatro e meia, como combinado. Anna e Susan esperavam na entrada do hotel, as malas ao lado do porteiro noturno, o que deu a Sam a oportunidade de checar Susan enquanto ela se aproximava. Cammie tinha contado tudo sobre Susan a Sam, é claro. De acordo com Cammie, a irmã de Anna, Susan, era a garota-propaganda da namoro.com e tinha se internado na reabilitação mais vezes do que a Whitney Houston. Certamente ela parecia se encaixar no papel, vestida com uma camiseta preta habilmente rasgada, calças de camuflagem de cós baixo e uma jaqueta de motoqueiro de couro preto. Usava batom vermelho e um monte de delineado r nos olhos e tinha uma leve semelhança com Marilyn Monroe.Então evidentemente a irmã mais velha de Anna ia atacar de dinamite sexual. Ia dar certo.
Enquanto o porteiro colocava a bagagem na traseira do Jeep de Sam, Anna apresentou Sam a Susan. Susan ofereceu a mão a Sam.- É um prazer - disse ela num tom perfeitamente modulado que entrava em choque com a aparência de durona."Engraçado", pensou Sam. "Dá pra tirar uma garota do Upper East Side de Manhattan, mas não dá pra tirar o Upper East Side de uma garota." Ou colocá-lo numa garota, aliás, se ela não o tiver. É claro que algumas pessoas tentavam. MasSusan e Anna eram de verdade.Anna sentou-se na frente, Susan atrás, e Sam arrancou para a avenida Sunset. Enquanto iam para a estrada Freeway 101, Sam perguntou a Susan se ela estava interessada em ajudar no filme.- Trabalho de escola? - perguntou Susan com desdém. - Definitivamente não.Sam ficou surpresa. Quem diabos era Susan para desprezar um trabalho de escola? A pessoa que ia fazer o "trabalho de escola" estava em vias de se tornar uma cineasta realmente famosa. Além disso - se ligaaaa!-, ela era filha de Jackson Sharpe.- Na verdade ... Susan, né? - disse Sam dirigindo-se ao banco traseiro. - Um curta meu entrou no Independent Film Channel no ano passado, Susan - disse Sam. - TalvezAnna tenha contado que meu pai é Jackson Sharpe. Ele vê todos os meus filmes. Então, nunca se sabe.- Eu adoro o seu pai - disse Susan. - Especialmente em O último patriota. Acho que vi todos os filmes dele.Então tá. Solte o nome mágico de Jackson Sharpe e elas sempre vêm correndo.- Obrigada - disse Sam, olhando Susan pelo retrovisor.- E aí, mudou de idéia?- Claro que não.Não? Sam não estava acostumada com "não". Em geral, todo mundo que ela convidava para participar de seus filmes dizia sim. Até garotas que a odiavam diziam sim. Era uma espécie de doença de Los Angeles, onde todo mundo pensava estava a ponto de se tornar uma estrela. Mas Susan ercy não podia ser mais desinteressada. E agora Sam podia er pelo retrovisor que Susan estava enfatizando sua recusa se recostando no banco e fechando os olhos.
"Bom, ela que vá pro inferno", pensou Sam, vendo o jeito queria -que- fosse-1977 -e-eu -namorasse- um -Sex-Pistol de Susan. Que música deixaria essa garota mais irritada? Ela vasulhou os CDs, encontrou um velho disco do Frank Sinatraque o pai adorava, e ela detestava, e o colocou. A introdução de cinco notas repetidas de "New York, New York" berrou no Cherokee.Sam olhou pelo retrovisor. Os olhos de Susan se abriram por um brevíssimo segundo, depois se fecharam de novo.Touché.Na verdade, essa era a única música de Sinatra que Sam realmente gostava. No bar mitzvah de Ben, a banda tinha tocado essa música, e Ben dançou com ela. Era uma lembrança bonita.- Gosta dessa música? - perguntou ela a Anna.- Não muito - admitiu Anna.- É do meu pai - confidenciou Sam. - Minha madrasta adolescente gosta de cantar pra ele. É tortura auricular. Sabe omo ela começou no ramo?-Não.Sam mudou de pista - estavam se aproximando da entrada da via expressa - depois abaixou o volume da música.- Ela era caloura no Santa Monica College, um cara a viu correndo no meio da avenida San Vicente e disse que ela podia ser uma estrela. Ela se mudou para a casa dele eele a colocou no elenco como uma fugitiva de uma série doShowtime.Sam olhou para Anna, que parecia completamente desligada, depois de volta para a estrada. Ela percebeu que estava tagarelando nervosamente, como se as duas estivessem no primeiro encontro.- Não tenho idéia de por que estou contando isso. É uma chatice, eu sei.- Desculpe - disse Anna. - Eu só estava pensando na festa que tenho de ir no domingo à tarde para meu estágio na Apex. Acho que devo levar um cliente deles.- A festa dos Steinberg? Sei tudo sobre ela. Eu também vou - disse Sam.- Mundinho pequeno, esse - comentou Anna.- Não é muito diferente de onde você veio. A mesma bosta em pratos diferentes.- Tem razão - reconheceu Anna. Ela se virou para a irmã no banco traseiro. - Você vai à festa comigo amanhã, não é?
- Ainda estou sofrendo com o fato de o pretenso idiotinha ter ficado famoso - disse Susan sem abrir os olhos. - Meu Deus, ele costumava ofegar quando me beijava. Masque grossena.- Vou considerar isso um sim - disse Anna.Sam queria continuar a conversa, mas Anna fechou os olhos. Alguns minutos depois, ela estava dormindo. Ela parecia tão calma e serena que Sam não suportou a idéia deinterromper seu cochilo. Então ela calou a boca e dirigiu.Para Anna, a viagem de três horas pelo deserto parecia interminável. Ela praticamente cochilou o tempo todo, perguntando-se se tinha feito a coisa certa dando um tempo com o Adam. Ela ainda podia ver a dor no rosto dele. Susan dormiu na maior parte da viagem e Sam ouviu uma música que Anna realmente não gostava. Mas elas finalmente chegaram nos arredores de Palm Springs, passando entre duas imensas extensões de moinhos de vento para geração de energia que se espalhavam dos dois lados da estrada. Havia centenas deles, iluminados por holofotes, girando loucamente no vento tempestuoso do deserto. Entre eles, havia placas anunciandocassinos indígenas.- Cassino Morongo. - Da traseira, uma Susan recém desperta leu em voz alta um dos cartazes. - A gente devia matar o spa amanhã à noite e ir lá.Anna ficou tensa. "Lá vamos nós de novo".- Essa não é uma idéia muito boa, Sooz.- Credo, Anna, eu posso beber Red Bull ou coisa pareida. Acabei de sair da reabilitação - acrescentou Susan, para deleite de SamArma queria que Susan tivesse guardado esse último comentário para ela mesma. Houve uma época em que Susan era ainda mais reservada do que Anna.- O que é que está pegando? - perguntou Sam, perebendo a reação de Anna. - Metade das pessoas que eu conheço está na reabilitação. A outra metade acaba de sair.- Ela olhou pelo retrovisor lateral e depois passou suavemente para a pista de entrada.Um exagero, obviamente, mas Anna pensou que era bem característico de Sam tomar uma atitude tão otimista.
- Eu que o diga - concordou Susan. - E aí, pronta pra uma rapidinha nos dados e nos homens, Sam?Os olhos de Sam fulminaram Anna, depois voltaram à estrada. Ela sentiu o desconforto de Anna com o fato de a irmã ficar num ambiente tão ensopado de álcool como um cassino.- Sabe como é, Susan, só vamos ficar pelo spa. As pessoas se matam para conseguir uma reserva no V. Você devia aproveitar. E as massagens são incríveis.- Dá pra conseguir uma boa massagem em qualquer lugar. - Susan se inclinou para a frente e puxou uma mecha do cabelo de Anna. - Vamos lá. Vamos nos divertir. Vai teajudar a tirar o Cara das Flores da cabeça.O estômago de Anna se revirou. Tarde demais, ela percebeu que devia ter dito à irmã para não falar nada de Ben ou Adam para Sam - porque Sam parecia ser estranhamente obcecada pela vida amorosa de Anna.Nos velhos tempos, ela podia ter contado com a discrição de Susan. A discrição daquela época não estava mais no vocabulário da irmã.- Cara das Flores? - ecoou Sam.- É, é uma doideira - disse Susan a Sam. - O cara mandou centenas de rosas para Anna.- Adam Flood? - supôs Sam.- Ben qualquer coisa - completou Susan. - Ouvi dizer que é um babaca.- Ben? - ecoou Sam, incrédula. Ela desviou os olhos da estrada e olhou para Anna. - Pensei que vocês tivessem terminado. Ele te mandou flores de Princeton?- Hmmm ... ele ainda pode estar em Los Angeles - murmurouAnna, tentando desesperadamente pensar numa forma de mudar de assunto sem parecer óbvia. Agora Sam agarrava com força o volante e olhava diretamentepara a frente.- Acho que ele quer voltar com você.Anna deu de ombros. Sam parecia levar isso muito a sério ela não tinha idéia do motivo. Era só por causa da Cammie? Ela decidiu mudar de assunto.- Vamos falar do nosso filme, tá legal? Posso ler pra você...- Anna foi inteligente em dar o fora nesse cara. - Susan forçou a barra, aparentemente sem perceber o desconforto da irmã ou talvez por isso mesmo. - Os galinhas são uns merdas.
- É- ecoou Sam. - Você fez bem em dar o fora nele."Mas... não foi ontem mesmo que Sam falou que Ben era um cara ótimo?" Anna pensou em lembrar Sam disso. Mas não o fez.- Se as duas não se importam, eu realmente prefiro não falar dele. Nem do Adam. Nem de nenhum outro cara, aliás.Susan riu.- Está brincando, né?- Não. Falo sério. No momento não estou nada interessada em homens.O coração de Sam deu um salto. "Anna não está nada interessada em homens?" Será que estava mandando um sinal a Sam? Ou era só a imaginação febril de Sam? E mesmo que estivesse mandando um sinal, Sam não tinha muita certeza do que devia fazer com isso. Sam nunca pensava muito no passo seguinte. Será que deveria ficar sozinha com Anna num canto escuro e avançar? A idéia era esquisita demais parasequer pensar nela. Sam estava ficando fora de si. O que precisava era de maisinformação.- Então no que está interessada, hein? - perguntou Sam, da forma mais casual que pôde.- Em nosso filme - disse Anna a ela. - E em mim. Pra variar.Ah. Então foi isso que ela quis dizer. Sam sorriu de alívio. Ainda não estava pronta para chegar lá. Ainda.- Por mim, tudo bem.Susan assentiu.- Se importa se eu fumar? - perguntou a Sam.- Os pulmões são seus - disse Sam a ela.Susan colocou um cigarro entre os lábios, acendeu e abriuum pouco a janela.- Esquentar o banco de reservas é uma idéia desagradávelaté pramim.Sam girou, quase esbarrando no próprio ombro.- O que foi que você disse?- Eu não culpo a Anna - disse Susan, fazendo uma careta e exalando um anel de fumaça. - Quem quer ser o reserva de outra pessoa? Primeiro veio a Cammie, depois a Dee.Sam empalideceu. Dee nunca falou claramente que tinha ficado com Ben.- Dee?De jeito nenhum. Não consigo acreditar que Ben... Como poderia...? E depois te mandar flores suficientes para cobrir a Parada das Rosas ...- Ben é... - Anna parou. Estava prestes a dizer a Sam o que tinha acontecido com ela e Ben na véspera de Ano- Novo.
Mas ela já havia falado disso com Susan. Será que tinha que envolver Sam? Anna pensou na mais próxima e mais querida amiga de Sam - Cammie Sheppard, uma garota que Alma tinha certeza absoluta de que meteria uma estaca no seu coraçãoe daria gargalhadas enquanto sangrasse. Que dirá seu coração das trevas.E no entanto Anna realmente queria ter uma amiga em LosAngeles. Ela precisava de uma amiga em Los Angeles. Sam era a única candidata ao cargo. Anna pensou em sua longa amizade com Cyn em Nova York. Cyn definitivamente tinha amigas que Anna não suportava, mas Anna achava que isso não depunha contra ela. Por que para Sam o padrão seria diferente?- Hein? - insistiu Sam.- Ah, conta pra ela - disse Susan. - Sei que nossos pais são o rei e a rainha do Fique de Boca Fechada o Tempo Todo, e nenhum dos dois é feliz."Talvez Susan tenha razão", pensou Anna. "Além disso, eu não fiz nada de medonho."- Sam - começou Anna -, gostaria que você não contasse a Dee e Cammie o que vou te dizer agora.Sam riu.- Eu não conto a elas nem o que acontece na minha vida, ainda mais na sua.Então Anna informou Sam, indo até a desculpa ridícula de Ben por ter abandonado Anna para salvar a vida de uma elebridade misteriosa que era amiga dele.- E isso - concluiu Anna - é toda a historinha sórdida.Na verdade, não era. Ela deixou de fora detalhes sobre o que tinha - ou não tinha - acontecido no barco logo depois da meia-noite. O status de sua virgindade era uma coisa que ia continuar privada.- Meu Deus - sussurrou Sam. - Um filme e tanto.- Sei que Ben é seu amigo, Sam. Mas talvez você não o conheça tão bem como pensa. Minha teoria é que ele só me quer de volta porque eu caí fora.Sam pareceu pensativa.- Talvez.- Talvez? - repetiu Anna. - Você não acreditou nessa história, né?- Bom, ele conhece um monte de atrizes - disse Sam enquanto o centro de Palm Springs finalmente aparecia a distância. - Metade das garotas da Warner Brothers eram da Beverly Hills High.
Susan chegou para a frente no banco.- Então de quem ele é amigo?- Deixa ver. .. - Sam mordiscou o lábio inferior. - Fomos na festa de Natal da House of Blues no ano passado e ele foi com aquela garota do Smallville, não lembro o nome dela.- Desculpe, não vejo muito TV - disse Anna.- Tudo bem. Estou tentando pensar em mais alguém... - refletiu Sam.- Alguém que ninguém acreditaria que é drogada - acrescentou Susan ansiosamente.Anna não conseguia acreditar. Sua irmã havia estado na festa de aniversário de 18anos da princesa de Jarudi representando sua mãe, Jane Percy, porque a rainha tinha ido para o internato com Jane. Ela se sentou no camarote real no torneiode tênis de Wimbledon. E agora Susan estava brincando de adivinha-quem -é-a -celebridade-drogada -de- Ben?Talvez fosse alguma coisa na água da costa oeste.- Tá legal. Pouca gente sabe disso - começou Sam, a voz baixa apesar do fato de só as três estarem no carro. - Mas depois que Ben e Cammie terminaram, uma certa atriz muito famosa... ela estava num seriado que todo mundo sempre via e se casou com um certo ator muito famoso... ele é louco por ela... conheceu o Ben numa festa. Ela teve uma briga com o marido porque achava que ele estava fumando maconha, então ela foi à festa sem ele. Ela não sabia que Ben ainda estava no segundo grau. Uma coisa levou à outra ...- Como você sabe disso tudo? - perguntou Susan.- Pelo amor de Deus, Susan, era a minha festa. E as mesmas pessoas vão estar na festa dos Steinberg. Dá pra imaginar que ela ficou toda transtornada por Brad fumar bagulho quando ela é que tem o problema? - perguntou Sam.- Brad? - repetiu Susan. - Você disse Brad? De Brad...- Pára. Pode parar por aí - pediu Sam. - Eu nunca dedurei meus amigos. Eu só deduro os amigos dos outros. A conversa continuou nesse filão. Anna não participou,mas, certamente, ouviu. E ficou divagando. E se Sam estivesse certa? E se Ben realmente tivesse contado a verdade? Não. Isso não importa mais.
"Sim, importa", disse uma vozinha insistente no fundo de sua mente, "porque quando você dormiu agora há pouco, sonhou com ele."
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