TAMANHO 34- Quarenta e oito, quarenta e nove, cinqüenta!Cammie se sentou na tábua de abdominais, tendo acabado uma série de cinqüenta.- Impressionante - disse Susan, enxugando o pescoço numa toalha. Ela havia acabado de fazer cinco quilômetros de spinning.Era o dia seguinte. Cammie ligara para Susan no Beverly Hills Hotel e a convidara a ir malhar com ela na Summit, a academia mais exclusiva de Los Angeles. Ocupando a cobertura e o terraço do prédio mais alto da Century City, a Summit atraía atores, modelos, executivos de estúdio e celebridades que não se importavam nem um pouco em pagar a taxa anual de cinco dígitos e que não gostariam de ser pegos nem mortos na, digamos, Los Angeles Fitness, independentemente de Cindy Crawford fazer a propaganda de lá.A Summit era enorme. A Summit era suntuosa. Haviauma piscina no terraço, quatro quadras de tênis iluminadas e uma quadra de basquete coberta, uma parede de escalada, um restaurante e uma loja de sucos, salas de aeróbica, ioga, spinning e kick-boxing, além de equipamento de halterofilismo, circuit training e cárdio, que alguém podia querer. O que mais agradava aos sócios - além de ficar isolados da ralé de Los Angeles, e da incrível vista através das vidraças que davam para o Pacífico e também para o centro da cidade - era que depois que saíam do andar da academia, não havia nada da presunção que estragava tantas academias.
Mesmo que os clientes estivessem mesmo na capa das principais revistas, todos se vestiam para malhar. E era por isso que Cammie e Susan estavam usando shorts comuns de ginástica, camisetas e calçados atléticos. Esse era talvez o único lugar "in" em Los Angeles em que se vestir bem era "out", a não ser no sentidode todos ficarem de olho na perfeição da forma física dos outros - ou na falta dela.- Pronta para se trocar? - perguntou Cammie, enxugando o cabelo molhado da testa.Susan concordou. Cammie levou-a até o vestiário, que exibia paredes de vidro do chão ao teto - o vidro era de uma face para que nenhum paparazzo de helicóptero, com lentes telescópicas, pudesse tirar fotos constrangedoras.- Ligou para Anna e disse a ela que vai me levar na festa dos Steinberg?Susan abriu o armário.-Não.- Por que não?- A gente brigou ontem à noite. A gente mal se falou quando voltou do deserto."Perfeito." Cammie tinha analisado o relacionamento de Susan e Anna. Susan era o ponto fraco de Anna. E, por extensão, seu cordeiro sacrificial.Cammie xingou a si mesma por não ter sido capaz de insistir com Ben Birnbaum. E xingou Anna Percy por ter tanto poder sobre ele. Ben tinha procurado por Anna em plena sauna Mount St. Helens, completamente vestido. Ele nunca fez nada disso por ela, e nunca faria. Magoava tanto saber que ele amava Anna de um jeito que jamais a amaria. Anna ia pagar por isso.Enquanto se despia, Cammie teve o cuidado de esconder o sorriso afetado. Susan era emocionalmente dependente de Anna; isso, Cammie já havia deduzido. Uma briga entre as duas era definitivamente uma coisa de que podia tirar proveito.A coitadinha da Susan podia facilmente ficar soltinha, sem a Anna para ampará-la.Cammie se espreguiçou, sabendo que seu corpo nu era incrível. Contrastan:do com o de Susan, cuja barriga era flácida e a bunda caía um pouco. Depois que elas se despiram para tomar um banho, Susan se enrolou numa toalha e prendeu a ponta.
- Mas e aí, sobre o que foi a grande briga? - perguntou Cammie.- Eu prefiro não falar sobre isso.Cammie riu.- Você parece a sua irmã.- Que se parece com a nossa mãe. Que provavelmente escreve um bilhete de agradecimento depois que transa. - A beira da toalha de Susan estava solta, revelando seu corpo nu. - Meu Deus, queria perder o peso que ganhei nareabilitação.Os olhos de Cammie varreram o corpo de Susan antes de Susan prender novamente a toalha.- Não é um porre? A mesma coisa aconteceu comigo quando fiquei na clínica.- Já perdi um quilo e trezentos - disse Susan. - Mais duas semanas e perco o resto.- Bom, admiro sua autoconfiança. Quer dizer, deve ser um saco ter uma irmã tão perfeita.Susan se limitou a dar de ombros.Elas passaram a meia hora seguinte no banheiro de mármore e vidro e na sala de vapor. Cammie tratou de deixar os olhos correrem pelo pequeno pneu na cintura de Susan, depois, quando Susan pegou Cammie olhando-a, ela fingiu que não estava olhando. Ela apontou para o corpo esbelto e lindo das outras mulheres que viam. E fez uma piada de que era ilegal ter tamanho acima de 34 na Summit.- E aí, que roupa vai usar na festa? - perguntou Cammieenquanto elas iam para a área dos armários.- A calça preta que compramos na Betsey Johnson.- Aquela? Ah. Ótimo. - Cammie se certificou de que a dúvida ficasse um pouco óbvia na sua declaração.Susan largou a toalha no cesto de toalhas molhadas e pegou as roupas no armário.- Que foi? Você me ajudou a escolher!- Ela é ótima - garantiu Cammie. - Você e Anna têm estilos tão diferentes.- E daí? - Susan fechou o sutiã e estendeu a mão para a camiseta.- É só que Anna nunca usaria a calça que você comprou.Susan puxou a calcinha, depois a calça jeans.- Eu podia usar qualquer outra coisa.- Não, essa é legal. Você tem gosto próprio. Quer dizer,você gosta desse visual. É ótimo.- Que visual?- Sabe como é, o visual eu-sou-legal-pra-caramba. Você é rebelde, isso é legal.- Obrigada, dr. Fred - resmungou Susan.
- Sei bem como você se sente - prosseguiu Cammie.Susan estava sentada no banco, amarrando as sandálias, então Cammie se sentou ao lado dela, curvando-se para se aproximar mais, a voz baixa e hipnótica.- Já sentiu como se você se deixasse vencer por tudo o que quer, que você simplesmente não pára de querer?- O tempo todo - confessou Susan. Ela pegou a outra sandália.- Tipo você nunca vai estar à altura. E nada consegue te satisfazer, nunca - continuou Cammie -, porque você é essa coisa gulosa, carente? Eu sinto isso o tempo todo.Susan olhou em volta. O vestiário estava vazio. Ninguém estava lá para ouvir a conversa.- Bom, você esconde muito bem.- É?- Cammie fingiu surpresa. Ela pegou as sandálias de camurça e couro Giuseppe Zanotti no armário. - Obrigada. Vou te contar, Susan, depois da reabilitação, eu tinhamedo de fazer tudo. Comer estava fora de cogitação ... eu estava uma porca. Beber como eu podia parar no primeiro drinque? Fumar bagulho eu queria fumar até esquecer e ficar ali. Coca, Ecstasy, sexo ... qualquer coisa que eu fazia antes da reabilitação, eu queria fazer sem parar.- E aí, como foi que parou?- Tive que provar que podia dominar isso, sabe? Quer dizer, o que eu devia fazer, ficar sozinha no meu quarto ouvindo música deprê pelo resto da minha vida? Então eusimplesmente, sabe como é, tomei um drinque. Cammie podia ver o anseio por "um drinque" na cara de Susan.- E?- insistiu Susan- E daí? É sério, foi a conclusão a que eu cheguei. Se eu tomar um ou dois drinques, e daí? Faz com que eu me sinta melhor. Eu não machuco ninguém. E provei que posso me divertir e não, tipo assim, simplesmente apagar.- Deve ser legal. - Susan se levantou, fechou o zíper da calça e vestiu a blusa Chanel..- É legal. - Cammie vasculhou o fundo da bolsa de ginástica e encontrou o que estava procurando: uma meia garrafa de vodca Flagman, o rótulo russo provando que era autêntica. Ela desatarraxou a tampa. - Não suporto que as pessoas me digam o que fazer. Quer um pouco?
- Não. - Susan borrifou perfume Escada no pescoço, depois começou a escovar o cabelo e a passar brilho labial- Tudo bem. Eu entendo. No seu lugar eu daria um belo "foda-se" a Anna e a todo mundo que acha que sabe exatamente como eu devo ser e quem eu devo ser. - Cammie tomou um gole longo e dramático. Podia sentir os olhos deSusan nela. - Ah, que bom. Nada faz me sentir assim. Tem certeza de que não quer?-Tenho.- Você tem razão. Se realmente está descontrolada, quer dizer. Um golinho e vai dançar feito uma gelatina. - Cammie pôs a garrafa de pé novamente.- Não estou descontrolada.- Anna acha que está. Do contrário, por que ela ficaria bancando O clube das babás com você? - Cammie levou a garrafa aos lábios mais uma vez; podia sentir o desejo de Susan enquanto o líquido causticante descia pela garganta. - Hmmm. Nada me acalma como a Flagman, sabia? Faz as outras parecerem água.Susan não respondeu, mas Cammie podia ver que ela estava trincando os dentes enquanto usava o secador de cabelo.- Mas olha só - prosseguiu Cammie. - Eu entendo totalmente. Acho que a Anna está certa. Você é essa mané descontrolada que nunca mais vai poder beber. Parece umasentença de morte, mas você sabe o que é melhor pra você.- Quando foi que eu disse que não ia beber nunca mais?Cammie deu de ombros.- Já passei pelo que você está passando. Para mim, a única maneira de derrotar o medo é fazer o que me assusta e provar que posso lidar com isso. Mas acho que você é diferente.Susan olhou para ela.- Que besteira.- Prove, então. Mané. - Cammie passou a vodca para Susan.Por um bom tempo Susan ficou olhando a garrafa como se fosse a caixa de Pandora. Cammie podia sentir que ela estava vacilando.- Por que eu deveria? - perguntou Susan, os olhos na garrafa aberta.- Para provar que ela não tem poder sobre você. Para provar que você não é a mané gorda que sua irmã acha que é.Outro longo intervalo, depois Susan pegou a garrafa das mãos de Cammie.- Sabe de uma coisa: minha irmã tem razão sobre você. Você é mesmo uma piranha.Elas se encararam. Por um momento Cammie pensou que Susan ia largar a vodca no chão do vestiário. Mas, em vez disso, Susan ergueu a garrafa até a boca e tomou umlongo gole.Bingo.
terça-feira, 7 de outubro de 2008
POR QUE TRANSFORMAR UMA COMÉDIA EM UMA TRAGÉDIA?- Anna! Mas que droga, Anna! - gritou Ben.Anna disparou pela porta do prédio de serviço do spa, decidida a não olhar para trás. Mas logo Ben estava ao lado dela.- Aonde está indo?Ela olhava diretamente para a frente.- Qualquer lugar que não seja aqui.- Ei, foi você que me ligou, lembra?- Vamos chamar de insanidade temporária.Ele manteve o ritmo enquanto ela andava a passos largospelos jardins luxuosos que levavam ao prédio principal.- Olha, eu não estava esperando uma revelação na sauna, Anna. Eu não planejei isso.- Legal. Você não planejou isso.- Então por que está me culpando?Ela virou para ele com tanta rapidez que ele involuntariamente deu um passo para trás.- Culpar? A culpa não tem nada a ver com nada. Está vendo o tipo de gente que você chama de amigos, Ben? Sam devia ser sua amiga, mas até ela chama você de galinha. Dee? Ela é ridícula. E Cammie é uma piranha insensível.- Não me julgue por elas...- Tudo bem, vou te julgar pelo que sei de você. Você disse que não sabe se transou ou não com a Dee porque estava chapado demais para se lembrar. Que tipo de pessoa faz isso, Ben? Você disse que me largou no Ano-Novo porque foi resgatar uma amiga. Depois nem entrou em contato comigo por três dias e por fim deu uma desculpa idiota! Ou estava bêbado naqueles dias também? Você não pode abdicar daresponsabilidade por seu comportamento só porque ficou íntimo do Johnny Walker Red Label!
- Não é uma coisa que eu... A situação era... - Ben parou.Ele suspirou. Os ombros caíram. - Tudo bem. Talvez você tenha razão.Ele parecia tão triste que Anna por um momento quis colocar os braços em volta dele.- Tem sorte que Dee não esteja grávida, Ben - disse Anna, a voz mais suave agora. - Mas não está vendo? Você não se lembra do que aconteceu naquela noite, o que significa que podia ser verdade. Então o que você teria feito?- Não sei. - A voz dele estava áspera, os olhos infelizes.- Com toda a sinceridade, me desculpe, Anna. Eu queria poder explicar para você entender... Mas acho que não importa mais pra você. Desculpe se eu te incomodei.Ele enfiou as mãos nos bolsos e se afastou. Anna não conseguiu evitar; ela sentia como se Ben tivesse arrancado seu coração do peito e estivesse levando-o com ele. Ou, mais precisamente, o arrastasse atrás dele. Ela teve que se obrigar a não segui-lo.Acabou. Acabou de verdade. Não havia mais nada a dizer.Quando Anna voltou para o quarto, a irmã estava parada do lado de fora da porta.- Bom, foi um espetáculo - disse Susan enquanto Anna abria a porta.- Que bom que pude te dar uma diversão pós-reabilitação.- Caraca. Não me lembro de ter ouvido você sendo sarcástica antes - comentou Susan.Anna se atirou no sofá, deitou-se e fechou os olhos.- Como pode achar isso engraçado?- Porque é. Por que transformar uma comédia em uma tragédia?Anna abriu os olhos de novo. Susan estava à mesa, olhando o cardápio do serviço de quarto.- E se eu tivesse dito isso a você?- Bravo, ponto para a irmã mais nova. Quer lanchar?- Adivinha uma coisa, Susan. É possível ter problemasde verdade na vida sem ter de ir para a reabilitação pararesolvê-Ios.Susan continuou com os olhos no cardápio.- Sei disso - disse ela em voz baixa.As lágrimas encheram os olhos de Anna quando ela se sentou.- O que aconteceu com você, Sooz?Susan olhou para ela.- Do que está falando?- A pessoa neste quarto comigo ... não é você.- Talvez seja.
- Não. Você nunca foi fria. Nem cruel. Nem desagradável. Você sempre foi ... Você se importava com as pessoas. Você se importava comigo.Susan largou o cardápio e foi até uma das poltronas felpudas. Ela se sentou com uma das pernas sobre um dos braços.- Talvez eu só não queira mais me importar tanto assim, Anna. A vida é mais fácil desse jeito.- Isso é simples demais - disse Anna. Ela não pretendia discutir com Susan, especialmente depois do que aconteceu na sauna. Nem tinha percebido conscientemente como o comportamento de Susan a estava incomodando. Mas aliestavam elas.-Por quê? Porque eu decidi não jogar mais pelas regras da mamãe? - perguntou Susan. - Todas as advertências e os adendos do que é ou não permissível? Deus lhe proíbe ter desejos. Deus lhe proíbe de ter paixão. As regras da mamãe são um porre, Anna. Prefiro viver do meu jeito e foder com tudo em vez de ficar nessa prisão. Eu já te disse isso, e vou dizer de novo: quando foi a última vez que você aproveitouuma oportunidade?- Vir para Los Angeles foi uma grande oportunidade, e não estamos falando de mim.- Tudo bem - rebateu Susan. - Porque para você é melhor se concentrar nos meus problemas do que nos seus. Então você se mudou para Los Angeles. Grande coisa. Nada mudou, só o mar.Anna sentiu seus punhos cerrando.- Tá legal. Vou tentar do seu jeito. Como é que é mesmo? Largar a faculdade para morar com um pobretão fracassado Ferrar com tudo. Depois ir para a reabilitação e abandoná-la. Depois se tornar a mané das festas. Entendi direitinho?Toda a cor sumiu da cara de Susan.- Eu não abandonei a reabilitação.- Abandonou, sim - insistiu Anna. - Pelo menos assuma seu...- Eu consegui ser expulsa - rebateu Susan. - Satisfeita?Anna ficou em silêncio. Ela não sabia o que dizer. Até que finalmente pensou numa coisa.- É claro que não estou satisfeita. O que aconteceu?Susan olhou para o tapete, como se não conseguisse suportar olhar para a irmã.- Eu não bebi, se é o que você pensa. - Por fim, ela ergueu os olhos. - Eu estava com um cara. Ele bebeu. A gente foi apanhado. E não vou perguntar se você acredita em mim porque não ligo a mínima. Então vai se foder, Anna, você e a sua caretice. -Susan se levantou e foi direto para a porta.Anna ficou sentada, atordoada. Ela sabia que Susan estava sofrendo. Devia haver segredos que Susan não queria dividir. Mas em vez de se colocar à disposição da irmã, ela a atacou. O pior era que Anna sabia como Susan ficava triste com isso,porque o pai delas tinha feito exatamente a mesma coisa.
- Não é uma coisa que eu... A situação era... - Ben parou.Ele suspirou. Os ombros caíram. - Tudo bem. Talvez você tenha razão.Ele parecia tão triste que Anna por um momento quis colocar os braços em volta dele.- Tem sorte que Dee não esteja grávida, Ben - disse Anna, a voz mais suave agora. - Mas não está vendo? Você não se lembra do que aconteceu naquela noite, o que significa que podia ser verdade. Então o que você teria feito?- Não sei. - A voz dele estava áspera, os olhos infelizes.- Com toda a sinceridade, me desculpe, Anna. Eu queria poder explicar para você entender... Mas acho que não importa mais pra você. Desculpe se eu te incomodei.Ele enfiou as mãos nos bolsos e se afastou. Anna não conseguiu evitar; ela sentia como se Ben tivesse arrancado seu coração do peito e estivesse levando-o com ele. Ou, mais precisamente, o arrastasse atrás dele. Ela teve que se obrigar a não segui-lo.Acabou. Acabou de verdade. Não havia mais nada a dizer.Quando Anna voltou para o quarto, a irmã estava parada do lado de fora da porta.- Bom, foi um espetáculo - disse Susan enquanto Anna abria a porta.- Que bom que pude te dar uma diversão pós-reabilitação.- Caraca. Não me lembro de ter ouvido você sendo sarcástica antes - comentou Susan.Anna se atirou no sofá, deitou-se e fechou os olhos.- Como pode achar isso engraçado?- Porque é. Por que transformar uma comédia em uma tragédia?Anna abriu os olhos de novo. Susan estava à mesa, olhando o cardápio do serviço de quarto.- E se eu tivesse dito isso a você?- Bravo, ponto para a irmã mais nova. Quer lanchar?- Adivinha uma coisa, Susan. É possível ter problemasde verdade na vida sem ter de ir para a reabilitação pararesolvê-Ios.Susan continuou com os olhos no cardápio.- Sei disso - disse ela em voz baixa.As lágrimas encheram os olhos de Anna quando ela se sentou.- O que aconteceu com você, Sooz?Susan olhou para ela.- Do que está falando?- A pessoa neste quarto comigo ... não é você.- Talvez seja.
- Não. Você nunca foi fria. Nem cruel. Nem desagradável. Você sempre foi ... Você se importava com as pessoas. Você se importava comigo.Susan largou o cardápio e foi até uma das poltronas felpudas. Ela se sentou com uma das pernas sobre um dos braços.- Talvez eu só não queira mais me importar tanto assim, Anna. A vida é mais fácil desse jeito.- Isso é simples demais - disse Anna. Ela não pretendia discutir com Susan, especialmente depois do que aconteceu na sauna. Nem tinha percebido conscientemente como o comportamento de Susan a estava incomodando. Mas aliestavam elas.-Por quê? Porque eu decidi não jogar mais pelas regras da mamãe? - perguntou Susan. - Todas as advertências e os adendos do que é ou não permissível? Deus lhe proíbe ter desejos. Deus lhe proíbe de ter paixão. As regras da mamãe são um porre, Anna. Prefiro viver do meu jeito e foder com tudo em vez de ficar nessa prisão. Eu já te disse isso, e vou dizer de novo: quando foi a última vez que você aproveitouuma oportunidade?- Vir para Los Angeles foi uma grande oportunidade, e não estamos falando de mim.- Tudo bem - rebateu Susan. - Porque para você é melhor se concentrar nos meus problemas do que nos seus. Então você se mudou para Los Angeles. Grande coisa. Nada mudou, só o mar.Anna sentiu seus punhos cerrando.- Tá legal. Vou tentar do seu jeito. Como é que é mesmo? Largar a faculdade para morar com um pobretão fracassado Ferrar com tudo. Depois ir para a reabilitação e abandoná-la. Depois se tornar a mané das festas. Entendi direitinho?Toda a cor sumiu da cara de Susan.- Eu não abandonei a reabilitação.- Abandonou, sim - insistiu Anna. - Pelo menos assuma seu...- Eu consegui ser expulsa - rebateu Susan. - Satisfeita?Anna ficou em silêncio. Ela não sabia o que dizer. Até que finalmente pensou numa coisa.- É claro que não estou satisfeita. O que aconteceu?Susan olhou para o tapete, como se não conseguisse suportar olhar para a irmã.- Eu não bebi, se é o que você pensa. - Por fim, ela ergueu os olhos. - Eu estava com um cara. Ele bebeu. A gente foi apanhado. E não vou perguntar se você acredita em mim porque não ligo a mínima. Então vai se foder, Anna, você e a sua caretice. -Susan se levantou e foi direto para a porta.Anna ficou sentada, atordoada. Ela sabia que Susan estava sofrendo. Devia haver segredos que Susan não queria dividir. Mas em vez de se colocar à disposição da irmã, ela a atacou. O pior era que Anna sabia como Susan ficava triste com isso,porque o pai delas tinha feito exatamente a mesma coisa.
BOTÃO VERMELHOAnna tinha a sensação de que não conseguia respirar, .mas não havia nada a fazer com o calor da sauna. Insano, bizarro mas era verdade - Ben Birnbaum , totalmente vestido, estava a alguns centímetros dela. As perguntas eram: como e por quê?- Ben? - perguntou ela, completamente surpresa.- Então é Ben Birnbaum, o bad boy - disse Susan com a voz estridente. - Que entrada interessante. Sou a irmã de Anna, Susan.- Anna, posso falar com você? Por favor? - perguntou Ben. - O quê, e deixar a gente de fora desse momento meigo? - perguntou Cammie, o tom de voz cortante. - Sam, espe ro que tenha gravado isso para a posteridade.- A câmera está desligada - disse Sam.Anna sentiu Sam encarando-a enquanto ela se virava para Ben.- Como soube que eu estava aqui? Eu não disse onde estava!- Eu tenho identificador de chamada. Olha, estou derretendo com essa roupa. Por favor. Só preciso de cinco minutos.Anna tinha se esquecido de que ligara para Ben do telefone do hotel. Não foi muito esperta. Mas agora ele estava ali, então ela teria que lidar com ele. Em particular.então ela teria que lidar com ele. Em particular.Ela assentiu rigidamente e desceu do banco de madeira. Ben se virou e empurrou a porta da sauna. A porta não se mexeu.Ele empurrou novamente. Nada.- Acho que está emperrada - disse ele, colocando pressão muscular na terceira tentativa. - Que ótimo, isto é bom pra caramba pra todo mundo.
- Aperte a droga do botão vermelho ao lado da porta - disse o cara peludo, aborrecido. - Alguém virá do prédio principal.- Enquanto isso - intrometeu-se Cammie -, todos adoraríamos saber o que Ben está tão desesperado para dizer a Anna.- A Anna, Cammie - disse Ben com firmeza. - Não a você.Ele já havia transpirado a camiseta toda, então a tirou.- Devo colocar uma música de strip- tease? - perguntou Susan delicadamente.Anna gemeu. A irmã estava botando mais lenha na proverbial fogueira, embora Anna tivesse de admitir que o torso retesado e suado de Ben era uma perfeição.- Talvezeu possa esclarecer um pouco as coisas,Ben - continuou Susan.- Anna acha que o único motivo para você querer voltar com ela é porque ela não quer mais você.Ben olhou para Anna.- Você disse isso a ela?Anna encarou a porta da sauna, desejando que abrisse.- Eu realmente não quero falar desse assunto aqui.- É porque Anna e Adam agora estão juntos - disse Dee a Ben.- Ela terminou com Adam - corrigiu Susan.- Essa não! - gritou Dee. - Quando foi que isso aconteceu?- Será que vocês, por favor...? - começou Anna.Ninguém a estava ouvindo.- Não é que Anna confie em você, Dee - disse Cammie.- E aí, Ben - começou Susan -, sabia que a Dee andou dizendo a todo mundo que te pegou em Princeton?- Susan! - protestou Anna.- Ah, qual é, Anna. O que toda essa besteirada de vamos- manter-tudo-em-particular vai te dar? Você acha que a mamãe é feliz? Acha que algum de seus amigos é feliz?- Meu Deus - murmurou Ben. - Estou num psicodrama.- Então você deve ser o psicó... é você que está de pé numa sauna, completamente vestido, meu bem - disse a mulher de meia-idade ao lado de Parker. - Quando a segurança vai chegar aqui? Estou completamente desidratada.Cammie se virou para Dee.- É verdade? Você dormiu com o Ben?- E se dormi? - desafiou Dee. - Foi quando eu viajei para ver a faculdade. Vocês nem estavam mais juntos.
- Nós não transamos, Dee - insistiu Ben.- Transamos, sim. Você estava de porre, então talvez não se lembre - declarou Dee. - Mas eu me lembro. Lembro de cada minuto.- Conte o resto a ele - insistiu Susan.- É segredo - disse Dee.Susan sacudiu a cabeça.- Não acha que deve dizer a verdade a Ben?Foi aí que Anna percebeu qual era "a verdade" a que Susan se referia. Dee deve ter dito a Susan a mesma coisa que disse a Anna - que estava grávida de Ben.Dee hesitou.- Émeio cedo para isso.- Olha, meu bem. Ou é a verdade ou não é-disse Susan.- Ou você está grávida ou não está.- O quê? - gritou Ben.Dee mordeu o lábio inferior.- Bom, na verdade, eu ainda não fui ao médico.Ben jogou as mãos pro ar.- Isso é loucura!- Ô, amigo, tem alguém aqui além de mim que você não comeu? - perguntou o cara peludo.Ben o ignorou.- Você não está grávida, Dee.- Como sabe disso? - respondeu Dee. - Eu posso estar.Sam deu um pigarro alto, atraindo a atenção de todos.- É mesmo? Então por que você bateu na minha porta ontem à noite e me pediu absorvente?- Na lata! - Susan riu.O único som na sauna foi o sibilar fraco do calor saindo das rochas vulcânicas.- Bom, eu achei que estava - começou Dee, a voz suave.- Quer dizer, talvez estivesse, por algum tempo. - Ela enterrou a cara nas mãos. - Vocês todos estão sendo tãogrosseiros.Anna se levantou.- Isso é horrível- declarou ela. - O que quer que tenha acontecido entre Dee e Ben foi entre eles. E o que quer que tenha acontecido entre mim e Ben diz respeito apenas a nós dois. Não me importo com o que vocês pensam. - Os olhos dela passaram de Sam para Dee e depois para Cammie. - E vocês três. Vocês dizem ser as melhores amigas umas das outras. Mas ficam tão... tão alegres com a infelicidade da outra. Qual é o problema de vocês?A sauna ficou em silêncio. Até Cammie fez a cortesia de parecer meio culpada, pelo menos momentaneamente. Por fim, a mulher mais velha quebrou o silêncio.-Aprendam comigo, meninas. Jamais fiquem loucas por um rostinho bonito. Casem-se com um homem que seja muito mais velho e mais rico do que vocês. Se vocês foremboas de cama, ele não vai exigir exame pré-nupcial. Com aquelas pérolas de sabedoria, a porta se abriu e dois seguranças entraram na sauna na frente de uma lufada de ar frio.- Vocês estão bem? - perguntou um deles.- Mais do que bem - exultou Monty, enquanto desligava a câmera de vídeo. - Peguei a porra toda na fita!
- Aperte a droga do botão vermelho ao lado da porta - disse o cara peludo, aborrecido. - Alguém virá do prédio principal.- Enquanto isso - intrometeu-se Cammie -, todos adoraríamos saber o que Ben está tão desesperado para dizer a Anna.- A Anna, Cammie - disse Ben com firmeza. - Não a você.Ele já havia transpirado a camiseta toda, então a tirou.- Devo colocar uma música de strip- tease? - perguntou Susan delicadamente.Anna gemeu. A irmã estava botando mais lenha na proverbial fogueira, embora Anna tivesse de admitir que o torso retesado e suado de Ben era uma perfeição.- Talvezeu possa esclarecer um pouco as coisas,Ben - continuou Susan.- Anna acha que o único motivo para você querer voltar com ela é porque ela não quer mais você.Ben olhou para Anna.- Você disse isso a ela?Anna encarou a porta da sauna, desejando que abrisse.- Eu realmente não quero falar desse assunto aqui.- É porque Anna e Adam agora estão juntos - disse Dee a Ben.- Ela terminou com Adam - corrigiu Susan.- Essa não! - gritou Dee. - Quando foi que isso aconteceu?- Será que vocês, por favor...? - começou Anna.Ninguém a estava ouvindo.- Não é que Anna confie em você, Dee - disse Cammie.- E aí, Ben - começou Susan -, sabia que a Dee andou dizendo a todo mundo que te pegou em Princeton?- Susan! - protestou Anna.- Ah, qual é, Anna. O que toda essa besteirada de vamos- manter-tudo-em-particular vai te dar? Você acha que a mamãe é feliz? Acha que algum de seus amigos é feliz?- Meu Deus - murmurou Ben. - Estou num psicodrama.- Então você deve ser o psicó... é você que está de pé numa sauna, completamente vestido, meu bem - disse a mulher de meia-idade ao lado de Parker. - Quando a segurança vai chegar aqui? Estou completamente desidratada.Cammie se virou para Dee.- É verdade? Você dormiu com o Ben?- E se dormi? - desafiou Dee. - Foi quando eu viajei para ver a faculdade. Vocês nem estavam mais juntos.
- Nós não transamos, Dee - insistiu Ben.- Transamos, sim. Você estava de porre, então talvez não se lembre - declarou Dee. - Mas eu me lembro. Lembro de cada minuto.- Conte o resto a ele - insistiu Susan.- É segredo - disse Dee.Susan sacudiu a cabeça.- Não acha que deve dizer a verdade a Ben?Foi aí que Anna percebeu qual era "a verdade" a que Susan se referia. Dee deve ter dito a Susan a mesma coisa que disse a Anna - que estava grávida de Ben.Dee hesitou.- Émeio cedo para isso.- Olha, meu bem. Ou é a verdade ou não é-disse Susan.- Ou você está grávida ou não está.- O quê? - gritou Ben.Dee mordeu o lábio inferior.- Bom, na verdade, eu ainda não fui ao médico.Ben jogou as mãos pro ar.- Isso é loucura!- Ô, amigo, tem alguém aqui além de mim que você não comeu? - perguntou o cara peludo.Ben o ignorou.- Você não está grávida, Dee.- Como sabe disso? - respondeu Dee. - Eu posso estar.Sam deu um pigarro alto, atraindo a atenção de todos.- É mesmo? Então por que você bateu na minha porta ontem à noite e me pediu absorvente?- Na lata! - Susan riu.O único som na sauna foi o sibilar fraco do calor saindo das rochas vulcânicas.- Bom, eu achei que estava - começou Dee, a voz suave.- Quer dizer, talvez estivesse, por algum tempo. - Ela enterrou a cara nas mãos. - Vocês todos estão sendo tãogrosseiros.Anna se levantou.- Isso é horrível- declarou ela. - O que quer que tenha acontecido entre Dee e Ben foi entre eles. E o que quer que tenha acontecido entre mim e Ben diz respeito apenas a nós dois. Não me importo com o que vocês pensam. - Os olhos dela passaram de Sam para Dee e depois para Cammie. - E vocês três. Vocês dizem ser as melhores amigas umas das outras. Mas ficam tão... tão alegres com a infelicidade da outra. Qual é o problema de vocês?A sauna ficou em silêncio. Até Cammie fez a cortesia de parecer meio culpada, pelo menos momentaneamente. Por fim, a mulher mais velha quebrou o silêncio.-Aprendam comigo, meninas. Jamais fiquem loucas por um rostinho bonito. Casem-se com um homem que seja muito mais velho e mais rico do que vocês. Se vocês foremboas de cama, ele não vai exigir exame pré-nupcial. Com aquelas pérolas de sabedoria, a porta se abriu e dois seguranças entraram na sauna na frente de uma lufada de ar frio.- Vocês estão bem? - perguntou um deles.- Mais do que bem - exultou Monty, enquanto desligava a câmera de vídeo. - Peguei a porra toda na fita!
VINGANÇANinguém ferrava com Prima McNaughton e saía ileso. É claro que Prima ficou furiosa consigo mesma por ter caído na história idiota sobre a mãe estar procurando por ela.Mas era a idiota da Susan Percy que teria que pagar. Prima sabia que Parker e Susan iam mais tarde a uma das saunas do spa como parte de um filme de estudantes. Era tudo de que ela precisava.De biquíni na mão, Prima desceu às pressas a escada do prédio de serviço do spa, quase se chocando na base da escada com um cara incrivelmente gato. Alto e meio bronzeado, com cabelos castanhos curtos e olhos azuis, ele usava uma camisada cor dos olhos dele e jeans que o vestiam com perfeiçãoCaraca. Tempo. Susan podia esperar. Graças a Deus Prima estava com o minivestido Miu Miu e as sandálias de salto Manolo Blahnik - esse cara fazia Parker parecer um nerd. Hora de entrar em modo de azaração.Prima se apresentou. O cara disse que o nome dele era Ben; procurava uma amiga. Alguém da recepção disse a ele que Sam Sharpe estava filmando na sauna Mount St. Helens; ela sabia onde ficava?Prima tinha feito o dever de casa e apontou com confiança para a terceira porta à esquerda. Será que Ben ia se trocar? Porque Prima estava prestes a colocar o biquíni - ela acenou o material cor-de-rosa como quem dá mole. Quem sabe elespodiam ir à sauna juntos?Mas o cara, o Ben, tinha mentalidade limitada. Procurava por Sam e outra garota chamada Anna Percy. Tinha de encontrá-las.Anna Percy? A irmã da piranha da Susan Percy? Era uma maldita conspiração?Ben deixou Prima e foi para a sauna enquanto Prima o olhava, as mãos nos quadris. Hora de se vingar. Alguém tinha deixado uma barra de exercícios de metal no canto. Perfeito.Quando a porta da sauna se fechou, Prima apoiou a barra na maçaneta da porta e prendeu a outra ponta na parede do outro lado.Bingo. Eles estavam trancados lá.Ah, ela sabia que devia haver um botão de emergência ali.O V cobria a retaguarda para o caso de algum velho maluco ter um ataque cardíaco no meio da sauna e precisar de ajuda. Mas provavelmente levaria algum tempo até que alguém encontrasse o botão e o apertasse, e ainda mais tempo até que alguém chegasse na sauna a partir do prédio principal. Prima sorriu. A vingança era mesmo doce. Ela atirou as mechas ruivas e brilhantes no ombro. Depois foi embora o mais rápido que seus sapatos caros lhe permitiram.
MOUNT ST. HELENSA sauna Mount St. Helens no spa V tinha esse nome por um bom motivo - supostamente as rochas vulcânicas da sauna só eram coletadas dos taludes de um vulcão a tivo de Washington com o mesmo nome. Alegava-se que a sauna tinha poderes curativos especiais. Ao descer correndo a escada de mármore para as saunas no térreo do prédio principal do spa, Anna esperava que a sauna merecesse sua reputação, porque Sam ia dilacerá-la membro por membro - ela jáestava 45 minutos atrasada.
O fato de ela ter ficado no quarto trabalhando no roteiro e de ter se esquecido da hora era uma desculpa bem fraca. Depois de ter interrompido o telefonema para Ben, ela voltou a trabalhar e perdeu a hora.Quando chegou ao térreo, ela leu as placas em cada porta de madeira. Hidro Sauna de Alga Marinha. Sauna da Serenidade e Purificação. Ah, ali estava: Sauna Mount St. Helens.Anna pendurou o roupão branco e felpudo em um gancho do lado de fora da sauna e entrou. Ficou aliviada ao ver que todos no enorme espaço revestido de cedro estavam de roupa de banho. Parker estava com calções de surfe. Aos pés dele, a mulher de meia-idade que o perseguira o dia todo. Cammie estava deitada no banco mais alto com um maiô Gottex branco espetacular com decotes muito reveladores.Dee e Jamie Cresswell sentavam-se juntos no banco superior de frente para Cammie - e também havia alguns outros convidados. Enquanto isso, Sam e Monty manejavam duas câmeras diferentes - o filme estava sendo rodado._ Que bom que se juntou a nós, Anna - disse Sam.- Desculpe pelo atraso. Eu estava escrevendo.Sam desprezou a desculpa com um aceno.- Estamos bem aqui.- Posso ajudar em alguma coisa?- Em nada. Está tudo sob controle. Sente-se. Grata por Sam não tê-Ia deixado ainda mais constrangida, Anna encontrou um lugar junto à parede. Parker veio até ela e lhe deu um grande abraço. Anna foi pega de surpresa. Sim, ela conhecia Parker, mas não eram amigos íntimos.- Ei, vem aqui comigo - disse ele.Depois Monty apontou a câmera para eles e Anna percebeuque era tudo de propósito, para o filme.- A gente estava falando da festa dos Steinberg no sábado - disse Parker. - Sua irmã disse que você vai.- Hmmm, é - disse Anna. Ela se sentia constrangida e inibida. Ela disse a Sam que não queria estar no filme. Isso era uma forma passivo-agressiva de vingança?- Com o Brock "Sou-Tão-Pretensioso" Franklin - a crescentou Susan.- É, é, todos nós sabemos disso - disse Cammie.
- Anna é estagiária da agência do meu pai. Isso pode ficar interessante.- Não estou trabalhando para ele - disse Anna.- Na verdade, Anna, se você trabalha na Apex, então está - rebateu Cammie.- Sabe de uma coisa, Cammie, talvez seu pai pudesse conversar comigo como cliente - disse Parker. - É possível que eu faça uma nova produção dramática na WarnerBrothers. Sobre a garotada rica de Beverly Hills.- Que mora em Beverly Hills 90210? - perguntouCammie, virando-se de costas. Um cara baixinho e peludo com uns cinqüenta anos sorriu lascivamente, desfrutando a cena.Anna ficou confusa.- É nosso CEP?O cara peludo riu, e explicou a Anna:- Ela está se exibindo para você. Era um seriado de TV de antigamente que se passava em Beverly Hills, na área do CEP 90210: Barrados no baile. Eu tinha uma produção na Fox nessa época.- Com licença, Stevie, Stewie...como é mesmo seu nome?- interrompeu Cammie.- Stanley.- Stanley - repetiu Cammie. - Não estamos nem aí. Dee, que estava deitada atrás de Parker, sentou-se.- Você não conhece mesmo Barrados no baile, Anna?Anna balançou a cabeça negativamente.- Era sobre a garotada rica de Beverly Hills - explicouDee.- Tipo dez anos atrás, Dee - disse Cammie.- Bom, é, mas eles passam a reprise na TV a cabo o tempo todo. - Dee virou-se para Sam, que ergueu a câmera para focalizar nela. - Sabe de uma coisa, Sam, algumas pessoas dizeem que você parece a Tori Spelling. - Dee enumerouos motivos nos dedos: - Seu pai é um produtor famoso. Ela q queria entrar no ramo, então conseguiu um papel em Barrados no baile, que ele produzia. E eu li que ela sempre era meui insegura com a aparência...-Corta! - gritou Sam, abaixando a câmera e olhando para Monty até que ele desligasse a dele também. - Dee, não deve ser sobre mim. Estamos fazendo um filme.
- Bom, é, mas devia ser real, né? - perguntou Dee. - Além disso, você disse pra gente antes de a Anna chegar que Parker devia tentar chegar na Anna. Então só estou tentandodo criar tensão dramática.- É sempre bom saber que você está prestando atenção, Dee- disse Sam asperamente. - Dá para ter algum vapor aqui?Tá legal, vamos rodar de novo.Monty começou a filmar enquanto Parker colocava água fria nas rochas vulcânicas em brasa. Alguns filetes de vapor brancosubiram para o teto.- Mais - comandou Cammie, obviamente confortável demais para se mexer.- Se fizermos isso, não vamos conseguir te ver - disse Monty.- Não, peraí, vamos tentar assim - decidiu Sam. - Porque agora vocês não estão produzindo nada. Talvez mais vapor deixe vocês mais relaxados. Use a válvula.Sam apontou para uma válvula de saída de vapor no chão; Parker concordou em abri -la completamente. Um gêiser de vapor encheu a sauna, o bastante para obscurecer a vista de todos.- Perfeito. - Sam deu uma risadinha. - Parker, feche.Assim que a gente conseguir ver os rostos, Monty, comece a filmar de novo.Depois Anna ouviu a porta se abrir. Alguém entrou, mas ela não conseguiu ver quem era por causa do vapor espesso. Mas ela reconheceu a voz. Ela a reconheceria em qualquer lugar.- Anna, você está aí? - chamou a voz. - É o Ben.
O fato de ela ter ficado no quarto trabalhando no roteiro e de ter se esquecido da hora era uma desculpa bem fraca. Depois de ter interrompido o telefonema para Ben, ela voltou a trabalhar e perdeu a hora.Quando chegou ao térreo, ela leu as placas em cada porta de madeira. Hidro Sauna de Alga Marinha. Sauna da Serenidade e Purificação. Ah, ali estava: Sauna Mount St. Helens.Anna pendurou o roupão branco e felpudo em um gancho do lado de fora da sauna e entrou. Ficou aliviada ao ver que todos no enorme espaço revestido de cedro estavam de roupa de banho. Parker estava com calções de surfe. Aos pés dele, a mulher de meia-idade que o perseguira o dia todo. Cammie estava deitada no banco mais alto com um maiô Gottex branco espetacular com decotes muito reveladores.Dee e Jamie Cresswell sentavam-se juntos no banco superior de frente para Cammie - e também havia alguns outros convidados. Enquanto isso, Sam e Monty manejavam duas câmeras diferentes - o filme estava sendo rodado._ Que bom que se juntou a nós, Anna - disse Sam.- Desculpe pelo atraso. Eu estava escrevendo.Sam desprezou a desculpa com um aceno.- Estamos bem aqui.- Posso ajudar em alguma coisa?- Em nada. Está tudo sob controle. Sente-se. Grata por Sam não tê-Ia deixado ainda mais constrangida, Anna encontrou um lugar junto à parede. Parker veio até ela e lhe deu um grande abraço. Anna foi pega de surpresa. Sim, ela conhecia Parker, mas não eram amigos íntimos.- Ei, vem aqui comigo - disse ele.Depois Monty apontou a câmera para eles e Anna percebeuque era tudo de propósito, para o filme.- A gente estava falando da festa dos Steinberg no sábado - disse Parker. - Sua irmã disse que você vai.- Hmmm, é - disse Anna. Ela se sentia constrangida e inibida. Ela disse a Sam que não queria estar no filme. Isso era uma forma passivo-agressiva de vingança?- Com o Brock "Sou-Tão-Pretensioso" Franklin - a crescentou Susan.- É, é, todos nós sabemos disso - disse Cammie.
- Anna é estagiária da agência do meu pai. Isso pode ficar interessante.- Não estou trabalhando para ele - disse Anna.- Na verdade, Anna, se você trabalha na Apex, então está - rebateu Cammie.- Sabe de uma coisa, Cammie, talvez seu pai pudesse conversar comigo como cliente - disse Parker. - É possível que eu faça uma nova produção dramática na WarnerBrothers. Sobre a garotada rica de Beverly Hills.- Que mora em Beverly Hills 90210? - perguntouCammie, virando-se de costas. Um cara baixinho e peludo com uns cinqüenta anos sorriu lascivamente, desfrutando a cena.Anna ficou confusa.- É nosso CEP?O cara peludo riu, e explicou a Anna:- Ela está se exibindo para você. Era um seriado de TV de antigamente que se passava em Beverly Hills, na área do CEP 90210: Barrados no baile. Eu tinha uma produção na Fox nessa época.- Com licença, Stevie, Stewie...como é mesmo seu nome?- interrompeu Cammie.- Stanley.- Stanley - repetiu Cammie. - Não estamos nem aí. Dee, que estava deitada atrás de Parker, sentou-se.- Você não conhece mesmo Barrados no baile, Anna?Anna balançou a cabeça negativamente.- Era sobre a garotada rica de Beverly Hills - explicouDee.- Tipo dez anos atrás, Dee - disse Cammie.- Bom, é, mas eles passam a reprise na TV a cabo o tempo todo. - Dee virou-se para Sam, que ergueu a câmera para focalizar nela. - Sabe de uma coisa, Sam, algumas pessoas dizeem que você parece a Tori Spelling. - Dee enumerouos motivos nos dedos: - Seu pai é um produtor famoso. Ela q queria entrar no ramo, então conseguiu um papel em Barrados no baile, que ele produzia. E eu li que ela sempre era meui insegura com a aparência...-Corta! - gritou Sam, abaixando a câmera e olhando para Monty até que ele desligasse a dele também. - Dee, não deve ser sobre mim. Estamos fazendo um filme.
- Bom, é, mas devia ser real, né? - perguntou Dee. - Além disso, você disse pra gente antes de a Anna chegar que Parker devia tentar chegar na Anna. Então só estou tentandodo criar tensão dramática.- É sempre bom saber que você está prestando atenção, Dee- disse Sam asperamente. - Dá para ter algum vapor aqui?Tá legal, vamos rodar de novo.Monty começou a filmar enquanto Parker colocava água fria nas rochas vulcânicas em brasa. Alguns filetes de vapor brancosubiram para o teto.- Mais - comandou Cammie, obviamente confortável demais para se mexer.- Se fizermos isso, não vamos conseguir te ver - disse Monty.- Não, peraí, vamos tentar assim - decidiu Sam. - Porque agora vocês não estão produzindo nada. Talvez mais vapor deixe vocês mais relaxados. Use a válvula.Sam apontou para uma válvula de saída de vapor no chão; Parker concordou em abri -la completamente. Um gêiser de vapor encheu a sauna, o bastante para obscurecer a vista de todos.- Perfeito. - Sam deu uma risadinha. - Parker, feche.Assim que a gente conseguir ver os rostos, Monty, comece a filmar de novo.Depois Anna ouviu a porta se abrir. Alguém entrou, mas ela não conseguiu ver quem era por causa do vapor espesso. Mas ela reconheceu a voz. Ela a reconheceria em qualquer lugar.- Anna, você está aí? - chamou a voz. - É o Ben.
ALÔ?- De acordo com Cammie, os coquetéis de sábado do V ao pôr-do-sol são desprezíveis - disse Susan a Anna. Elas estavam no quarto de Anna, onde Anna estava se vestindo para a festa. Susan já estava pronta: trocou o preto do Lower East Side por uma blusa de tricô de seda vermelha com gola rulê Patricia Field justinha, calças de veludo quadriculado Chanel e sandália vermelha de salto alto e tiras Miu Miu. Na verdade, a roupa parecia alguma coisa que Cammie vestiria.- Desprezíveis por quê? - perguntou Anna enquanto ia ao banheiro para escovar o cabelo.- Evidentemente não há homens héteros o suficiente pura todas, então a festa é a maior disputa de mulher a oeste de Mississippi.- Cammie sempre vem com essa. As mulheres não vão spas para transar - gritou Anna para a irmã pela porta entreaberta. - Vai ver que fazer compras demais fritou ocerebro dela.Anna sabia que Susan e Cammie tinham passado a tarde em um shopping de ponta-de-estoque perto da via expressa. Elas passaram por ele quando vinham para a cidade: era do tamanho de um pequeno parque temático e tinha todas asgrifes, de Armani a Zou Zou.- Como você sabe como são os coquetéis em spas? Sempre que íamos a um spa com a mamãe, você ficava com a cabeça enfiada num livro. - Susan abriu a porta do banheiro e enfiou a cabeça para dentro. - Não vai usar maquiagem nenhuma?- Não gosto de maquiagem.
- Jane Percy Júnior - caçoou Susan. - E aí, qual é a do Parker Pinelli? Eu o conheci hoje à tarde.- Bonitinho, legal, meditativo, não muito brilhante - disse Anna. - Se você mudar de idéia e fizer o papel de Nina no nosso filme, vai poder descobrir sozinha.Susan se espreguiçou.- Posso descobrir de qualquer forma. E não ligo para o QI dele. Não é na cabeça dele que estou interessada.- Ele ainda está no ensino médio, Sooz. Se você não fizer a Nina, vai ter que ser a Dee.- Eu nem gosto que tirem foto minha, Anna. Você sabe disso.É verdade.- Tá legal. Vai ser a Dee, então. Pode me trazer o telefone? - Anna se lembrou de que tinha de verificar com Brock Franklin sobre a festa dos Steinberg e ver a que horas elequeria que ela o pegasse. - E o número do hotel de Brock... está na minha bolsa.- Brock é um completo babaca. Lembra da minha amiga Alexandra Moir? - gritou Susan, depois apareceu com o telefone de Anna e o número de Brock. - Aquela quenamorou ele?- Achei que você é que tinha namorado Brock.- Uma vez. Mas ela ficou com ele por uns dois meses. Lembra dela?- Tinha cabelo ruivo e sardas bem bonitinhas, né? - disse Anna.- É. O pai dela é dono de metade do Lower Manhattan. seu novo amiguinho, o Brock, traiu Alexandra com uma rarota do Wesleyan que conseguiu uma matéria na Granta, aquela revista literária.- Eu não estou namorando Brock. Ésó trabalho. - Anna se sentou na borda da banheira e fez a chamada. - Ele já havia se registrado, mas não estava no quarto. Então ela deixou um recado lembrando Brock de que ela era irmã de SusanPercy e gostaria de se encontrar com ele no hotel na tarde seguinte, às quatro horas, antes da festa dos Steinberg.- Quais Steinberg? - perguntou Susan. - Os velhos ou os novos?- Acho que os novos. Sei que eu devia saber quem são, mas eu não sei.- Eles são simplesmente o casal de vinte anos mais poderoso de Hollywood. Ele dirige, ela escreve e produz. Os Steinberg velhos fazem filmes tipo ... ah, deixa pra lá. Você nem liga.
- Sinceramente? Não muito.- Não seja tão esnobe, Anna. Existem filmes americanos que são realmente bons. Vamos ver um quando voltarmos a Los Angeles. Por que não me contou antes que a festa era essa? Eu adoraria ir!- Viu como isso se resolveu bem? - perguntou Anna alegremente. Ela pegou um cordão de couro para prender o cabelo.- Ainda depreciando a realidade, pelo que vejo - observou Susan.Anna deu de ombros.- Fico à vontade assim.- O conforto é superestimado. - Susan se esticou, revelando a barriga. - Meu Deus, o que é um coquetel sem álcool?- Se você acha que não pode lidar com isso, fique aqui. Por que encarar a tentação?- Escondida no meu quarto? - escarneceu Susan. - Sem tentações, a vida é um tédio.Enquanto Susan ia até um espelho comprido para olhar seu corpo inteiro, Anna a analisou de uma forma diferentc. O que tinha acontecido com ela? Essa era a Susan Percy que falava quatro línguas fluentemente, que sempre usava as roupas mais caras, simples e de excelente gosto? Ou era a Susan que se formou em história moderna da Europa e queria acabar com a fome no mundo? Ou a Susan que morava no prédio sórdido da avenida D, em Nova York, com drogados recostados na escada dela?- Foi em Bowdoin - disse Anna categoricamente.-O quê?- Que você começou a beber.Susan afofou o cabelo.- Ah. Isso. Velharia.- Aconteceu alguma coisa com você lá, Sooz?- Eu saí de casa, foi só isso. E decidi viver do jeito que eu queria. Por que você tem que fazer psicodrama de tudo?- Havia uma aspereza na voz dela.- É só que você mudou - explicou Anna. - E eu não sei por quê.- Talvez você devesse se perguntar por que você não mudou -disse Susan.- Como assim?Susan cruzou os braços.- Você me disse que veio para a Califórnia pra mudar de vida. Só que não mudou nada.Arma ficou surpresa. Era como se a irmã estivesse partindo para o ataque.- É só por alguns dias, Sooz.- É, mas olha quem você está namorando. Adam, o cara legal.- Legal não é um palavrão, Susan.E além disso, eu terminei com ele.
Susan pareceu surpresa.- Desde quando?- Desde que você apontou o erro no meu jeito de escolher alguém seguro - respondeu Anna. - Parecia mais que eu estava usando alguém seguro. Gosto demais do Adam pra fazer isso com ele.- Bom, você não é nenhuma escoteira. E aí, vai voltar com o bad boy?- Eu só quero ficar sozinha por algum tempo.Susan riu.- Nenhuma mulher quer ficar sozinha.A irritação de Anna explodiu.- Nem sempre se trata de homem, tá legal? Ninguém te obrigou a grudar com aquele mané com quem você ficou na faculdade.Susan fechou a cara.- Você nem o conheceu. E não faça isso comigo, Anna.Tá bom, vamos fazer comigo então.- Posso te dizer exatamente o que vai acontecer. Você vai passar mais ou menos um mês nessa de "sou mulher" e Adam simplesmente vai ficar por aí de qualquer forma, esperando que você mude de idéia. Você vai gostar disso... porque vai ter ainda mais poder.- Meu Deus, você me irrita, Susan! Não foi por isso que eu terminei!- Minta pra si mesma, se quiser - disse Susan alegremente. - Mas não pra mim. Com ele, você mandava no show. Anna chama, Adam vem. Literal e figurativamente.- Que baixaria - disse Anna.- E verdadeira. Mas o que acontece quando você não está no controle? O que acontece?Eu sei exatamente o que acontece, pensou Anna. Acontece Ben.Quando Anna e Susan chegaram, a festa já estava a todo o vapor. Enquanto um quarteto de cordas tocava Mozart, os privilegiados e lindos se misturavam. Parker e Dee estavam na mesa com uma ruiva linda; Anna pôde ver uma cópia de seu roteiro na frente deles. Ela deu uma olhada no bar: a mulher de meia-idade que tinha dado em cima de Parker mais cedo estava segurando um drinque alto, atirando flechas imaginárias para ele. Perto, Sam estava imersa numa conversa com Jamie Cresswell, o cara que ela escolhera para interpretar Mike. Monty Pinelli segurava uma câmera de vídeo portátil de alta resolução e falava com uma das gerentes do spa.
Quando Susan e Anna se aproximaram, Parker levantou-se para recebê-las. Ele beijou Anna no rosto, apertou a mão de Susan calorosamente e depois foi procurar duas cadeiras. Um minuto depois ele as estava apresentando à linda ruiva, cujo nome era Prima McNaughton. Ela estava de visita, vinda do Texas com os pais. Prima tinha um tique incomum. Sempre que Parker olhava para ela, ela se inclinava o bastante para que seus seios massageassem o braço dele.Susan olhou bem para a garota.- Peraí, seu nome é Prima McNaughton?- A-hã.- Sua mãe é bem magra? - perguntou Susan.- É. Por quê?Susan fez uma cara de quem se concentra.- Graças a Deus eu encontrei você. Eu a vi agora mesmo perto da segurança do prédio principal. Ela procurava por você. Lembro disso porque seu nome é muito incomum. Ela parecia frenética.- Juro que é como se eu estivesse com uma coleira - falou Prima de forma arrastada, com um suspiro. Ela se levantou. - Encontro vocês depois.Susan acenou com os dedos para Prima enquanto ela se afastava.- E aí, Parker, nos encontramos de novo - disse ela sedutoramente, e Anna percebeu que a irmã estava tendo uma atitude digna de Cammie. Isto é, ela inventou uma história para se livrar de imediato de Prima e poder avançar em Parker.- Oi, Susan. Você está ótima - disse Parker. - Posso pedir uma bebida para as damas?- Qualquer coisa sem álcool e com frutas - disse Susan tranqüilamente.- O mesmo para mim - concordou Anna.Parker se virou e acenou um dedo discreto para atrair a atenção do garçom, depois tocou o roteiro em cima da mesa.- Os monólogos que você escreveu são ótimos, Anna - disse ele. - Eu não sabia que você era escritora.- Obrigada - disse Anna. - Sinceramente? Nem eu.- Eu também adorei meu monólogo - disse Dee.- "Nem sei quem sou" - recitou ela com sua voz infantil, praticando uma das falas. - Cara, isso é tão verdadeiro. Você podemesmo se tornar uma roteirista de verdade, Anna. Vai estar aqui quando a gente filmar amanhã de manhã?
Anna tinha sugerido a Sam que elas rodassem os monólogos no deserto pela manhã, para tirar vantagem da luz do sol. Ela pensou que os closes à luz do dia ficariam excelentes contra todas as tomadas noturnas e internas que iam fazer. Sam concordou prontamente e chegou a elogiá-la por sua sensibilidade visual.Anna assentiu.- Vou, para o caso de precisar fazer mudanças de última hora. Nunca se sabe. Na verdade, logo depois dessa festa vou voltar para meu quarto. Não estou satisfeita com um dos monólogos do Mike e quero reescrever. É estranho, como se eu não conseguisse tirar as falas da minha cabeça.- Não precisa reescrever nada - insistiu Parker. - Seu primeiro rascunho é melhor do que a maior parte da porcaria que tenho que ler nos testes.- Obrigada - disse Anna, surpresa com o nível de excitação com o projeto. Especialmente porque a reação de Sam tinha sido morna.- E aí, quando vai filmar o resto disso? - perguntou Susan depois que o garçom sinalizou que chegaria logo.- Sam e Monty vão começar a rodar as cenas de fundo aqui na festa a qualquer momento - disse Anna a ela. - A última seqüência será na sauna Mount St. Helens, mais tarde.- Parece quente e suarento - disse Susan, rindo. - E divertido.Parker ergueu as sobrancelhas e sorriu maliciosamente.- Podia ser. Mas eu soube que você não quer entrar no filme.Susan franziu os lábios.- Eu podia deixar você me convencer.Parker se inclinou para Susan.- O que seria preciso para você mudar de idéia?- Hmmm ... Ainda não sei bem. Mas estou disposta a descobrir, se você estiver.Susan e Parker olharam-se nos olhos eAnna concluiu que não era capaz de suportar nem mais um segundo ali. Esta festa era uma perda de tempo. Cada minuto em que estava sentada ali era outro minuto em que não estava trabalhando no roteiro. E o monólogo de abertura de Mike a incomodava cada vez mais. Apesar das garantias de Sam de que dava para rodar, Anna não achava que estava totalmente bom.
- Com licença - disse ela, levantando-se. - Vou voltar ao trabalho.Dee disse um até logo, mas só o que Susan e Parker conseguiram fazer foi dar um aceno meio frio. Anna fez uma prece silenciosa para que a irmã estivesse usando anticoncepcionais e depois foi para o quarto. Algumas horas com seu roteiro, seu laptop e sua impressora pareciam extremamente convidativas.Isso foi poucas horas antes de Anna tirar os olhos do laptop. Ela não tinha idéia de quanto tempo se passara. Agora o monólogo de Mike estava muito melhor, mais sincero. Ela releu as últimas frases.As pessoas podem chamar de paixão. Ou desejo. Ou obsessão. Eu não me importo. Só quando estou com ela, tocando-a, é que me sinto completamente vivo. Se vocênunca sentiu o poder disso, eu lamento por você.Anna se levantou e alongou o pescoço. Antes de Ben, ela nunca poderia ter escrito essas falas porque, antes de Ben, ela não conhecia esses sentimentos. Se pudesse voltar no tempo e magicamente fazer com que os dois nunca se conhecessem, ela não teria feito isso. Porque junto com a dor estava a doçura de sentir tudo o que ela sentia por ele. Parte dela queria que ele soubesse disso. E nem importava a garota na esplanada."Mas como posso? Ele acha que estou com Adam", percebeu Anna. "Queria que ele soubesse que eu não o troquei por ninguém, a não ser por mim mesma. Que eu não namoro pessoas para afastar a solidão. Ben devia saber que estou sozinha. Por opção própria."De repente, corrigir a impressão de Ben de que ela estava com Adam tornou-se a prioridade número um de Anna. Ela procurou o número de Ben no PalmPilot. Depois pegou o celular na bolsa, mas a bateria tinha arriado - ela esquecera le recarregar. Impulsivamente, ela pegou o telefone do hotel lia mesa e ligou para o celular de Ben.-Alô?A voz de Ben! A primeira reação de Anna foi desligar. Não, isso era ridículo. Estava sendo imatura. Ela estava no comando.- Oi, Ben, é a Anna.- Anna.A voz dele era como uma carícia. De repente ela se sentiu ridícula. Será que devia simplesmente vomitar que ela e Adam não estavam juntos? Agora, tarde demais, ela percebeu que pareceria uma paquera ridícula. Ela terminou com Ben! Por que ele se importaria se era porque ela estava com Adam, Mickey Mouse ou qualquer outro?Resposta: ele não ia se importar.- Desculpe, eu não devia ter ligado - começou ela.- Devia, sim! - disse ele rapidamente. - Eu estava pensando em você.A mão de Anna estava bem úmida no telefone; isso revelava o quanto estava nervosa.- Eu ia te dizer que Adam e eu não estamos nos vendo mais. Mas agora parece ridículo.- De jeito nenhum - garantiu-lhe ele. - Onde você está?- Isso não importa. Eu não devia...- Dá pra parar com isso, Anna? Onde é que você está?- Não é o que você pensa, Ben - prosseguiu Anna, sentindo-se pior de repente. - Eu não quero ficar com ninguém agora.Silêncio.- Peraí. Você ligou pra me dizer que quer ficar sozinha?- Desculpe, Ben, de verdade.- Anna, que diabos ...Ela desligou, as mãos tremendo. Meu Deus, que idiota ela era! Por que teve que ligar para ele? Que parte perversa de seu cérebro decidiu que era uma boa idéia?Anna foi para o quarto e se deitou na cama. Que coisa mais imbecil de se fazer. Ela estava com nojo de si mesma.Quem diabos era ela para julgar o comportamento de Susan quando o próprio comportamento era tao patético.Para isso, ela não tinha nenhuma resposta.
- Jane Percy Júnior - caçoou Susan. - E aí, qual é a do Parker Pinelli? Eu o conheci hoje à tarde.- Bonitinho, legal, meditativo, não muito brilhante - disse Anna. - Se você mudar de idéia e fizer o papel de Nina no nosso filme, vai poder descobrir sozinha.Susan se espreguiçou.- Posso descobrir de qualquer forma. E não ligo para o QI dele. Não é na cabeça dele que estou interessada.- Ele ainda está no ensino médio, Sooz. Se você não fizer a Nina, vai ter que ser a Dee.- Eu nem gosto que tirem foto minha, Anna. Você sabe disso.É verdade.- Tá legal. Vai ser a Dee, então. Pode me trazer o telefone? - Anna se lembrou de que tinha de verificar com Brock Franklin sobre a festa dos Steinberg e ver a que horas elequeria que ela o pegasse. - E o número do hotel de Brock... está na minha bolsa.- Brock é um completo babaca. Lembra da minha amiga Alexandra Moir? - gritou Susan, depois apareceu com o telefone de Anna e o número de Brock. - Aquela quenamorou ele?- Achei que você é que tinha namorado Brock.- Uma vez. Mas ela ficou com ele por uns dois meses. Lembra dela?- Tinha cabelo ruivo e sardas bem bonitinhas, né? - disse Anna.- É. O pai dela é dono de metade do Lower Manhattan. seu novo amiguinho, o Brock, traiu Alexandra com uma rarota do Wesleyan que conseguiu uma matéria na Granta, aquela revista literária.- Eu não estou namorando Brock. Ésó trabalho. - Anna se sentou na borda da banheira e fez a chamada. - Ele já havia se registrado, mas não estava no quarto. Então ela deixou um recado lembrando Brock de que ela era irmã de SusanPercy e gostaria de se encontrar com ele no hotel na tarde seguinte, às quatro horas, antes da festa dos Steinberg.- Quais Steinberg? - perguntou Susan. - Os velhos ou os novos?- Acho que os novos. Sei que eu devia saber quem são, mas eu não sei.- Eles são simplesmente o casal de vinte anos mais poderoso de Hollywood. Ele dirige, ela escreve e produz. Os Steinberg velhos fazem filmes tipo ... ah, deixa pra lá. Você nem liga.
- Sinceramente? Não muito.- Não seja tão esnobe, Anna. Existem filmes americanos que são realmente bons. Vamos ver um quando voltarmos a Los Angeles. Por que não me contou antes que a festa era essa? Eu adoraria ir!- Viu como isso se resolveu bem? - perguntou Anna alegremente. Ela pegou um cordão de couro para prender o cabelo.- Ainda depreciando a realidade, pelo que vejo - observou Susan.Anna deu de ombros.- Fico à vontade assim.- O conforto é superestimado. - Susan se esticou, revelando a barriga. - Meu Deus, o que é um coquetel sem álcool?- Se você acha que não pode lidar com isso, fique aqui. Por que encarar a tentação?- Escondida no meu quarto? - escarneceu Susan. - Sem tentações, a vida é um tédio.Enquanto Susan ia até um espelho comprido para olhar seu corpo inteiro, Anna a analisou de uma forma diferentc. O que tinha acontecido com ela? Essa era a Susan Percy que falava quatro línguas fluentemente, que sempre usava as roupas mais caras, simples e de excelente gosto? Ou era a Susan que se formou em história moderna da Europa e queria acabar com a fome no mundo? Ou a Susan que morava no prédio sórdido da avenida D, em Nova York, com drogados recostados na escada dela?- Foi em Bowdoin - disse Anna categoricamente.-O quê?- Que você começou a beber.Susan afofou o cabelo.- Ah. Isso. Velharia.- Aconteceu alguma coisa com você lá, Sooz?- Eu saí de casa, foi só isso. E decidi viver do jeito que eu queria. Por que você tem que fazer psicodrama de tudo?- Havia uma aspereza na voz dela.- É só que você mudou - explicou Anna. - E eu não sei por quê.- Talvez você devesse se perguntar por que você não mudou -disse Susan.- Como assim?Susan cruzou os braços.- Você me disse que veio para a Califórnia pra mudar de vida. Só que não mudou nada.Arma ficou surpresa. Era como se a irmã estivesse partindo para o ataque.- É só por alguns dias, Sooz.- É, mas olha quem você está namorando. Adam, o cara legal.- Legal não é um palavrão, Susan.E além disso, eu terminei com ele.
Susan pareceu surpresa.- Desde quando?- Desde que você apontou o erro no meu jeito de escolher alguém seguro - respondeu Anna. - Parecia mais que eu estava usando alguém seguro. Gosto demais do Adam pra fazer isso com ele.- Bom, você não é nenhuma escoteira. E aí, vai voltar com o bad boy?- Eu só quero ficar sozinha por algum tempo.Susan riu.- Nenhuma mulher quer ficar sozinha.A irritação de Anna explodiu.- Nem sempre se trata de homem, tá legal? Ninguém te obrigou a grudar com aquele mané com quem você ficou na faculdade.Susan fechou a cara.- Você nem o conheceu. E não faça isso comigo, Anna.Tá bom, vamos fazer comigo então.- Posso te dizer exatamente o que vai acontecer. Você vai passar mais ou menos um mês nessa de "sou mulher" e Adam simplesmente vai ficar por aí de qualquer forma, esperando que você mude de idéia. Você vai gostar disso... porque vai ter ainda mais poder.- Meu Deus, você me irrita, Susan! Não foi por isso que eu terminei!- Minta pra si mesma, se quiser - disse Susan alegremente. - Mas não pra mim. Com ele, você mandava no show. Anna chama, Adam vem. Literal e figurativamente.- Que baixaria - disse Anna.- E verdadeira. Mas o que acontece quando você não está no controle? O que acontece?Eu sei exatamente o que acontece, pensou Anna. Acontece Ben.Quando Anna e Susan chegaram, a festa já estava a todo o vapor. Enquanto um quarteto de cordas tocava Mozart, os privilegiados e lindos se misturavam. Parker e Dee estavam na mesa com uma ruiva linda; Anna pôde ver uma cópia de seu roteiro na frente deles. Ela deu uma olhada no bar: a mulher de meia-idade que tinha dado em cima de Parker mais cedo estava segurando um drinque alto, atirando flechas imaginárias para ele. Perto, Sam estava imersa numa conversa com Jamie Cresswell, o cara que ela escolhera para interpretar Mike. Monty Pinelli segurava uma câmera de vídeo portátil de alta resolução e falava com uma das gerentes do spa.
Quando Susan e Anna se aproximaram, Parker levantou-se para recebê-las. Ele beijou Anna no rosto, apertou a mão de Susan calorosamente e depois foi procurar duas cadeiras. Um minuto depois ele as estava apresentando à linda ruiva, cujo nome era Prima McNaughton. Ela estava de visita, vinda do Texas com os pais. Prima tinha um tique incomum. Sempre que Parker olhava para ela, ela se inclinava o bastante para que seus seios massageassem o braço dele.Susan olhou bem para a garota.- Peraí, seu nome é Prima McNaughton?- A-hã.- Sua mãe é bem magra? - perguntou Susan.- É. Por quê?Susan fez uma cara de quem se concentra.- Graças a Deus eu encontrei você. Eu a vi agora mesmo perto da segurança do prédio principal. Ela procurava por você. Lembro disso porque seu nome é muito incomum. Ela parecia frenética.- Juro que é como se eu estivesse com uma coleira - falou Prima de forma arrastada, com um suspiro. Ela se levantou. - Encontro vocês depois.Susan acenou com os dedos para Prima enquanto ela se afastava.- E aí, Parker, nos encontramos de novo - disse ela sedutoramente, e Anna percebeu que a irmã estava tendo uma atitude digna de Cammie. Isto é, ela inventou uma história para se livrar de imediato de Prima e poder avançar em Parker.- Oi, Susan. Você está ótima - disse Parker. - Posso pedir uma bebida para as damas?- Qualquer coisa sem álcool e com frutas - disse Susan tranqüilamente.- O mesmo para mim - concordou Anna.Parker se virou e acenou um dedo discreto para atrair a atenção do garçom, depois tocou o roteiro em cima da mesa.- Os monólogos que você escreveu são ótimos, Anna - disse ele. - Eu não sabia que você era escritora.- Obrigada - disse Anna. - Sinceramente? Nem eu.- Eu também adorei meu monólogo - disse Dee.- "Nem sei quem sou" - recitou ela com sua voz infantil, praticando uma das falas. - Cara, isso é tão verdadeiro. Você podemesmo se tornar uma roteirista de verdade, Anna. Vai estar aqui quando a gente filmar amanhã de manhã?
Anna tinha sugerido a Sam que elas rodassem os monólogos no deserto pela manhã, para tirar vantagem da luz do sol. Ela pensou que os closes à luz do dia ficariam excelentes contra todas as tomadas noturnas e internas que iam fazer. Sam concordou prontamente e chegou a elogiá-la por sua sensibilidade visual.Anna assentiu.- Vou, para o caso de precisar fazer mudanças de última hora. Nunca se sabe. Na verdade, logo depois dessa festa vou voltar para meu quarto. Não estou satisfeita com um dos monólogos do Mike e quero reescrever. É estranho, como se eu não conseguisse tirar as falas da minha cabeça.- Não precisa reescrever nada - insistiu Parker. - Seu primeiro rascunho é melhor do que a maior parte da porcaria que tenho que ler nos testes.- Obrigada - disse Anna, surpresa com o nível de excitação com o projeto. Especialmente porque a reação de Sam tinha sido morna.- E aí, quando vai filmar o resto disso? - perguntou Susan depois que o garçom sinalizou que chegaria logo.- Sam e Monty vão começar a rodar as cenas de fundo aqui na festa a qualquer momento - disse Anna a ela. - A última seqüência será na sauna Mount St. Helens, mais tarde.- Parece quente e suarento - disse Susan, rindo. - E divertido.Parker ergueu as sobrancelhas e sorriu maliciosamente.- Podia ser. Mas eu soube que você não quer entrar no filme.Susan franziu os lábios.- Eu podia deixar você me convencer.Parker se inclinou para Susan.- O que seria preciso para você mudar de idéia?- Hmmm ... Ainda não sei bem. Mas estou disposta a descobrir, se você estiver.Susan e Parker olharam-se nos olhos eAnna concluiu que não era capaz de suportar nem mais um segundo ali. Esta festa era uma perda de tempo. Cada minuto em que estava sentada ali era outro minuto em que não estava trabalhando no roteiro. E o monólogo de abertura de Mike a incomodava cada vez mais. Apesar das garantias de Sam de que dava para rodar, Anna não achava que estava totalmente bom.
- Com licença - disse ela, levantando-se. - Vou voltar ao trabalho.Dee disse um até logo, mas só o que Susan e Parker conseguiram fazer foi dar um aceno meio frio. Anna fez uma prece silenciosa para que a irmã estivesse usando anticoncepcionais e depois foi para o quarto. Algumas horas com seu roteiro, seu laptop e sua impressora pareciam extremamente convidativas.Isso foi poucas horas antes de Anna tirar os olhos do laptop. Ela não tinha idéia de quanto tempo se passara. Agora o monólogo de Mike estava muito melhor, mais sincero. Ela releu as últimas frases.As pessoas podem chamar de paixão. Ou desejo. Ou obsessão. Eu não me importo. Só quando estou com ela, tocando-a, é que me sinto completamente vivo. Se vocênunca sentiu o poder disso, eu lamento por você.Anna se levantou e alongou o pescoço. Antes de Ben, ela nunca poderia ter escrito essas falas porque, antes de Ben, ela não conhecia esses sentimentos. Se pudesse voltar no tempo e magicamente fazer com que os dois nunca se conhecessem, ela não teria feito isso. Porque junto com a dor estava a doçura de sentir tudo o que ela sentia por ele. Parte dela queria que ele soubesse disso. E nem importava a garota na esplanada."Mas como posso? Ele acha que estou com Adam", percebeu Anna. "Queria que ele soubesse que eu não o troquei por ninguém, a não ser por mim mesma. Que eu não namoro pessoas para afastar a solidão. Ben devia saber que estou sozinha. Por opção própria."De repente, corrigir a impressão de Ben de que ela estava com Adam tornou-se a prioridade número um de Anna. Ela procurou o número de Ben no PalmPilot. Depois pegou o celular na bolsa, mas a bateria tinha arriado - ela esquecera le recarregar. Impulsivamente, ela pegou o telefone do hotel lia mesa e ligou para o celular de Ben.-Alô?A voz de Ben! A primeira reação de Anna foi desligar. Não, isso era ridículo. Estava sendo imatura. Ela estava no comando.- Oi, Ben, é a Anna.- Anna.A voz dele era como uma carícia. De repente ela se sentiu ridícula. Será que devia simplesmente vomitar que ela e Adam não estavam juntos? Agora, tarde demais, ela percebeu que pareceria uma paquera ridícula. Ela terminou com Ben! Por que ele se importaria se era porque ela estava com Adam, Mickey Mouse ou qualquer outro?Resposta: ele não ia se importar.- Desculpe, eu não devia ter ligado - começou ela.- Devia, sim! - disse ele rapidamente. - Eu estava pensando em você.A mão de Anna estava bem úmida no telefone; isso revelava o quanto estava nervosa.- Eu ia te dizer que Adam e eu não estamos nos vendo mais. Mas agora parece ridículo.- De jeito nenhum - garantiu-lhe ele. - Onde você está?- Isso não importa. Eu não devia...- Dá pra parar com isso, Anna? Onde é que você está?- Não é o que você pensa, Ben - prosseguiu Anna, sentindo-se pior de repente. - Eu não quero ficar com ninguém agora.Silêncio.- Peraí. Você ligou pra me dizer que quer ficar sozinha?- Desculpe, Ben, de verdade.- Anna, que diabos ...Ela desligou, as mãos tremendo. Meu Deus, que idiota ela era! Por que teve que ligar para ele? Que parte perversa de seu cérebro decidiu que era uma boa idéia?Anna foi para o quarto e se deitou na cama. Que coisa mais imbecil de se fazer. Ela estava com nojo de si mesma.Quem diabos era ela para julgar o comportamento de Susan quando o próprio comportamento era tao patético.Para isso, ela não tinha nenhuma resposta.
DR. FREDSam digitou o número já conhecido em seu celular e andou enquanto ele tocava. "Atende, atende, atende", murmurou ela a meia voz. A conversa que acabara de ter com Anna tinha sido muito estranha. O tempo todo ela teve que se esforçarpara olhar para o queixo ou a orelha de Anna. Porque ela ficou tão obcecada com a boca de Anna, que foi preciso toda a concentração do mundo para não olhar para ela. Sam não estava pensando no filme que estava prestes a rodar. Não estava pensando em nada a não ser na boca de Anna. Como era sábado, ela ligou para a casa do dr. Fred. E embora fosse verdade que tenha demitido o psicoterapeuta alguns dias antes, Sam sabia que ele ia ficar encantado em tê-la de volta. O dr. Fred podia ser famoso, com seu próprio programa de televisão, mas o pai de Sam o ajudara a chegar lá contratando-o como o psicanalista dela.
Ela era uma de suas clientes filhas-de-celebridade, e Jackson Sharpe tinha sido umdos primeiros convidados do programa dele. Os honorários iam à estratosfera. Logo, ele devia muito a ela.- Alô? - Sam reconheceu a voz dele, com as vogais distintamente abertas do meio-oeste.- Dr. Fred? É Sam Sharpe.- Sam! Que bom te ouvir!"E aí ele volta se arrastando", pensou Sam. "Sem outros 'não ligue para a minha casa' ou 'espere até a próxima sessão". Eu sabia.- Como você está, Sam? - continuou o dr. Fred. - Andei preocupado com você o ano todo. É claro que o ano começou há alguns dias. - Ele riu da própria piada sem graça.Sam pensou na melhor abordagem para fingir que não o havia demitido.- Estou em Palm Springs com umas amigas. As coisas estão esquisitas.- Como assim?- Bom, tem uma garota aqui. O nome dela é Anna. Ela é uma nova amiga.- Sim?- Ela é de Nova York. Inteligente. Linda. Rica.- Sim?- Ela é maravilhosa. E talentosa. Estamos trabalhando num filme para nossa aula de inglês. E ela disse que escreveria o roteiro para ele. E eu pensei: "É, tá legal. Vai em frente. Escreva seu roteiro. Mas vai ser tão chato que é melhor eupreparar um roteiro de reserva só pra garantir."- E?- insistiu o dr. Fred.- Ela escreve bem mesmo. O roteiro era melhor do que o meu. Bem, talvez.- Disse a ela como era bom?Sam hesitou. Ela e o dr. Fred trabalharam no ciúme de Sam por algum tempo. O dr. Fred ficaria muito decepcionado se soubesse que Sam tinha dito a Anna que o roteiro era bom e "não ótimo".- Na verdade, não.- Sam, só porque Anna é boa em alguma coisa não quer dizer que você não seja. Não há limites para quantas pessoas podem ser boas em alguma coisa.- Tá legal, vou trabalhar isso - disse Sam, dispensando o conselho. Tinha um problema maior para resolver. - Mas não foi por isso que eu liguei. Liguei porque não consigo parar de pensar nela.- Pode ser mais específica, Sam?- Tipo assim... eu quero beijá-Ia - confessou Sam, diminuindo o tom da voz.- Interessante.
- Não, não é interessante - rebateu Sam. - Eu disse: as coisas estão esquisitas.- Tudo bem, então você gostaria de beijar essa amiga nova - respondeu o dr. Fred. - Como isso é esquisito?- Me deixa lembrar você de novo - disse Sam lentamente. - Ela é uma mulher.- Então, você está preocupada que tenha impulsos sexuais voltados para essa jovem?- Não é que eu queira ir para a cama com ela - insistiu Sam, o coração aos saltos. - Eu só queria beijá-la. É meio como em Beijando ]essica Stein, sabe qual é?Quando a garota hétero pensa que se sente atraída por uma mulher, mas na verdade ela é hétero e no fim ela termina com aquele cara ótimo.- A-hã - murmurou o dr. Fred. - Só que no filme a garota hétero realmente se sente atraída pela garota gay. Sua nova amiga Anna é gay?- Não. Talvez. Não sei. Ela me disse que está dando um tempo dos homens. Isso quer dizer que ela pode ser gay. Ou pelo menos bi. - Ou só quer dizer que alguma coisa aconteceu na vida dela que a fez querer dar um tempo de homens e se concentrar em si mesma, para variar. Acho que você se sente ameaçada por este impulso - supôs o dr. Fred.- Não. Não mesmo. Por que estaria? Não é tão incomum, é? Ou estou totalmente fodida?- Todos nós temos de nos lembrar de que nosso valor pessoal não é determinado por nossa sexualidade - declarou o dr. Fred. - Você tem repetido suas afirmações?O dr. Fred e a porcaria das afirmações dele. Ele chegou a ter uma nova linha de cartões de apresentação com aquelas malditas afirmações. Eu crio minha própria realidade. Sou um perfeito ser de luz. Eu escolho ser feliz agora.- Não. Elas são idiotas.- Como se você tivesse bom senso para dizer isso. Tudo pode ter a ver com o seu pai, Sam. E sua hostilidade em relação a Poppy. Por ora, diga suas afirmações e pratique aqueles exercícios respiratórios que eu te passei. Não seja tão dura consigo mesma.consIgo mesma.- Tá, tá, tá - grunhiu Sam.- Posso agendar uma consulta para você no seu antigo horário da quarta-feira - prosseguiu o dr. Fred. - Posso te esperar?- Tá - disse Sam, de má vontade. Pelo menos o Dr. Fred a ouvia.- Excelente. E, Sam, sentir uma coisa e agir de acordo com o que sente são coisas diferentes. Lembre-se disso.Sam desligou e se esparramou na cama de bétula sueca, diretamente abaixo do delicioso nu a óleo de Marily Monroe. Não se sentia menos ansiosa.- Sentir uma coisa e agir de acordo com o que sente são coisas diferentes - murmurou ela para si mesma. Mas isso não a fazia se sentir melhor.
Ela era uma de suas clientes filhas-de-celebridade, e Jackson Sharpe tinha sido umdos primeiros convidados do programa dele. Os honorários iam à estratosfera. Logo, ele devia muito a ela.- Alô? - Sam reconheceu a voz dele, com as vogais distintamente abertas do meio-oeste.- Dr. Fred? É Sam Sharpe.- Sam! Que bom te ouvir!"E aí ele volta se arrastando", pensou Sam. "Sem outros 'não ligue para a minha casa' ou 'espere até a próxima sessão". Eu sabia.- Como você está, Sam? - continuou o dr. Fred. - Andei preocupado com você o ano todo. É claro que o ano começou há alguns dias. - Ele riu da própria piada sem graça.Sam pensou na melhor abordagem para fingir que não o havia demitido.- Estou em Palm Springs com umas amigas. As coisas estão esquisitas.- Como assim?- Bom, tem uma garota aqui. O nome dela é Anna. Ela é uma nova amiga.- Sim?- Ela é de Nova York. Inteligente. Linda. Rica.- Sim?- Ela é maravilhosa. E talentosa. Estamos trabalhando num filme para nossa aula de inglês. E ela disse que escreveria o roteiro para ele. E eu pensei: "É, tá legal. Vai em frente. Escreva seu roteiro. Mas vai ser tão chato que é melhor eupreparar um roteiro de reserva só pra garantir."- E?- insistiu o dr. Fred.- Ela escreve bem mesmo. O roteiro era melhor do que o meu. Bem, talvez.- Disse a ela como era bom?Sam hesitou. Ela e o dr. Fred trabalharam no ciúme de Sam por algum tempo. O dr. Fred ficaria muito decepcionado se soubesse que Sam tinha dito a Anna que o roteiro era bom e "não ótimo".- Na verdade, não.- Sam, só porque Anna é boa em alguma coisa não quer dizer que você não seja. Não há limites para quantas pessoas podem ser boas em alguma coisa.- Tá legal, vou trabalhar isso - disse Sam, dispensando o conselho. Tinha um problema maior para resolver. - Mas não foi por isso que eu liguei. Liguei porque não consigo parar de pensar nela.- Pode ser mais específica, Sam?- Tipo assim... eu quero beijá-Ia - confessou Sam, diminuindo o tom da voz.- Interessante.
- Não, não é interessante - rebateu Sam. - Eu disse: as coisas estão esquisitas.- Tudo bem, então você gostaria de beijar essa amiga nova - respondeu o dr. Fred. - Como isso é esquisito?- Me deixa lembrar você de novo - disse Sam lentamente. - Ela é uma mulher.- Então, você está preocupada que tenha impulsos sexuais voltados para essa jovem?- Não é que eu queira ir para a cama com ela - insistiu Sam, o coração aos saltos. - Eu só queria beijá-la. É meio como em Beijando ]essica Stein, sabe qual é?Quando a garota hétero pensa que se sente atraída por uma mulher, mas na verdade ela é hétero e no fim ela termina com aquele cara ótimo.- A-hã - murmurou o dr. Fred. - Só que no filme a garota hétero realmente se sente atraída pela garota gay. Sua nova amiga Anna é gay?- Não. Talvez. Não sei. Ela me disse que está dando um tempo dos homens. Isso quer dizer que ela pode ser gay. Ou pelo menos bi. - Ou só quer dizer que alguma coisa aconteceu na vida dela que a fez querer dar um tempo de homens e se concentrar em si mesma, para variar. Acho que você se sente ameaçada por este impulso - supôs o dr. Fred.- Não. Não mesmo. Por que estaria? Não é tão incomum, é? Ou estou totalmente fodida?- Todos nós temos de nos lembrar de que nosso valor pessoal não é determinado por nossa sexualidade - declarou o dr. Fred. - Você tem repetido suas afirmações?O dr. Fred e a porcaria das afirmações dele. Ele chegou a ter uma nova linha de cartões de apresentação com aquelas malditas afirmações. Eu crio minha própria realidade. Sou um perfeito ser de luz. Eu escolho ser feliz agora.- Não. Elas são idiotas.- Como se você tivesse bom senso para dizer isso. Tudo pode ter a ver com o seu pai, Sam. E sua hostilidade em relação a Poppy. Por ora, diga suas afirmações e pratique aqueles exercícios respiratórios que eu te passei. Não seja tão dura consigo mesma.consIgo mesma.- Tá, tá, tá - grunhiu Sam.- Posso agendar uma consulta para você no seu antigo horário da quarta-feira - prosseguiu o dr. Fred. - Posso te esperar?- Tá - disse Sam, de má vontade. Pelo menos o Dr. Fred a ouvia.- Excelente. E, Sam, sentir uma coisa e agir de acordo com o que sente são coisas diferentes. Lembre-se disso.Sam desligou e se esparramou na cama de bétula sueca, diretamente abaixo do delicioso nu a óleo de Marily Monroe. Não se sentia menos ansiosa.- Sentir uma coisa e agir de acordo com o que sente são coisas diferentes - murmurou ela para si mesma. Mas isso não a fazia se sentir melhor.
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